segunda-feira, 11 de junho de 2012

A Crise da existência e a relevância do Evangelho


A Crise da existência e a relevância do Evangelho
Sandro M. Viana (Natal-RN)

“Quando o coração se me amargou e as entranhas se me comoveram, eu estava embrutecido e ignorante; era como um irracional à tua presença. Todavia, estou sempre contigo, tu me seguras pela minha mão direita. Tu me guias com o teu conselho e depois me recebes na glória”. Salmo 73.21-24

Vivemos em um mundo em constantes mudanças.  Países, sistemas financeiros, governos, a cultura, as religiões, a ciência, tudo está num constante dolorido parto de transformações.

A mídia nos arranca de dentro de nossos sossegados e confortáveis mundos arremessando-nos para o meio do fogo e fumaça dos conflitos sociais e globais expondo as realidades da vida.

As agonias, as incertezas, os anseios, os conflitos expõem a cada nova geração a busca pelo sentido da existência, mesmo em meio ao furacão de dias pós-modernos, onde os sentidos e valores foram triturados e relativizados.
As ciências sociais, a medicina e todos os tipos de terapias estão à disposição da humanidade com tentativas de curas para doenças e distúrbios emocionais incompreensíveis.

As “agendas” com valores e compromissos que são impostas sobre a vida da sociedade contemporânea levam as pessoas a se inserirem em uma maratona onde há uma multidão correndo e você precisa “urgentemente” entrar nessa corrida. É dessa maneira que somos inseridos  na correria da “vida” e passamos agora a não ter mais tempo. Há sempre algo a se fazer, sempre estará faltando alguma coisa. Por trás deste fenômeno há a fuga do vazio de significados de sentidos. A agenda deve ser preenchida o mais rápido possível, pois assim passará mais rápido e não sobrará “tempo” para de fato refletir, pensar a própria vida.

A falta de tempo faz com que as pessoas se alimentem mal, escolham na pressa, os sofrimentos, os anseios, e as angustias da agenda da correria do dia a dia acaba impondo um ritmo frenético de alienação e insensibilidade. Os antidepressivos, calmantes confirmam a morte ainda em vida da fuga de realidades.

O expresso, no que se tornou a vida, só pára bruscamente em ocasiões de grandes tristezas, pois nesta correria a falta de tempo só é interrompida com fatos que nos retirem de dentro deste “vagão” dos excessos de compromissos e do vazio de sentido e nos coloque numa dimensão natural da vida como realmente deve ser. O grande problema é que só vemos que a falta de tempo só nos levou para uma perda de tempo quando o tempo daqueles que mais amávamos não estará mais disponível ao nosso lado.

Esta frenética agenda de falta de tempo é antiga e já nascemos sob esta influência. Algumas pessoas já perceberam as regras da existência e se submeteram a um tipo de “viver” como se estivesse num parque de diversões ou transformaram suas vidas em um grande negócio. 

Estas percepções conscientes de um vazio existencial são preenchidas de significados mesmo que fútil e inócuo. O grande problema está na inserção das novas gerações que adentram neste ritmo sem ao mesmo entenderem por que precisam se submeter a estas agendas que já estão totalmente ocupadas e sem tempo. Crescemos assim sem tempo e achamos normal vivermos assim ocupando nosso tempo com as mais variadas formas e maneiras de distrações, prazeres ou futilidades, pois achamos que a vida se resume a isto mesmo. A falta de tempo é uma cruel agenda de alienações e manipulações sutis e constantes que entorpece a mente humana.

Acordar do sono profundo desses dias de nossas alienações e sermos colocados fora do desatino da vida contemporânea exigirá uma disciplina de despertamentos que acontece na alma humana. Em um mundo imerso numa grande desilusão o que precisamos é do frescor da Graça mediante a verdadeira compreensão dos princípios do Evangelho para nos lançar na dimensão real da vida.

Publicado no Boletim Informativo da IPParnamrim em 10/06/2012

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