sábado, 21 de julho de 2012

Cristianismo Passional

Um estranho amor aos deuses do coração
Rev. Sandro Mariano Viana

O cantor e compositor brasileiro Cazuza em sua canção: “O Nosso Amor A Gente Inventa” na década de 1980, entoou sua poesia numa balada romântica em que declarava sobre uma relação passageira, volátil e superficial:

“O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba a gente pensa
Que ele nunca existiu”

Há pessoas que acreditam que estão em uma relação real com Deus, porém este elo não existe. São sinceras em suas intenções e são assíduos devotos da religião. Possuem relações religiosas baseadas em pressupostos ou conhecimento que está estabelecido somente em um dos lados dos interessados é uma via de mão única constituída pela perspectiva do próprio fiel ou devoto.

O religioso passional fala, sente e percebe em nome de Deus, não dialoga e possui extensos monólogos. Suas atitudes autoritárias lhes confere o poder e sempre estão com razão.

Nessa relação passional religiosa tudo o que se fala a respeito do outro, Deus, é conhecimento de quem diz amar e que de fato nunca se interessou em conhecer o amado, Deus. Não existe um vínculo de reciprocidade, pois essas pessoas estão dispostas somente em agir em uma única direção, a de seus próprios interesses não possuem a capacidade de fato a ouvir a voz de Deus.

É um relacionamento de bipolaridade emocional, uma gangorra espiritual, uma montanha russa de êxtases, uma fé desequilibrada que não socorre, não amadurece, só apequena, atemoriza e esquizofreniza o ser. Este comportamento proposital e consciente acomoda desequilibrados espirituais em atitudes inconsequentes e antiéticas. Alegam que são reféns de suas próprias paixões e traz como marca principal em seu caráter a covardia. O orgulho lhes impede de crescer e amadurecer por isso são inconstantes e ao menor sinal de dificuldade ou discordância mudam de igreja ou denominação, são volúveis, levianos, viciados em suas próprias vaidades, estão sempre em fuga da verdade.

É muito comum encontrar pessoas falando, pregando sobre relacionamento com Deus, porém seu comportamento incoerente demonstra claramente que estão em afronta aquilo que dizem. Sua fé não conecta a vida real, é uma relação extravagante e de litígio ou de clara inexistência de um vinculo intimo espiritual com Deus.

Os religiosos passionais são por demais apaixonados por si mesmos (adoram os ídolos de seus corações) alegando amar a Deus, visam somente a sua vaidosa exposição e buscam proveito financeiro, sexual, favores e tudo aquilo que seu louco e doentio coração apaixonado puder cobiçar.

O que é mais preocupante é que a cultura religiosa cristã contemporânea reafirma estas condutas patológicas, retroalimentando-se através de músicas antropocêntricas entoadas em grandes e histéricos cultos públicos. Publicação de livros de autoajuda religiosa em mensagens que lançam as pessoas em seus vazios e abismos existenciais insensibilizando-os pelo recrudescimento de um individualismo materialista que aumenta mais suas angustias.

A libertação, que é uma garantia daquele que crê no Evangelho, leva o cristão a uma vida de equilíbrio, amor, paz, abnegação, simplicidade, humildade e serviço. Isto não significa que teremos uma vida sem dificuldades, ao contrário, os obstáculos só aumentam, pois agora descobrimos quem de fato é o nosso verdadeiro inimigo, nós mesmos! É através da conversão que pelo poder do Espírito Santo que realmente tomamos consciência de que precisamos ser tratados de nossa natureza egocêntrica que nos lança em abissais desejos. A obediência cristã é o caminho de plena demonstração de fé genuína quando insultamos as nossas paixões e desejos.

A fé passional ao contrário não exige esforço age pelos instintos mais primitivos, é incompreensível, irracional, carnal, animal, tendenciosa, emotiva, descontrolada, louca, ébria, desesperada e mística.

Amadurecer é a nossa missão de vida, pois precisamos aprender sempre porque não nascemos plenos e o processo de amadurecer infelizmente é por partes e não por completo. Somos maduros em algumas questões e extremamente infantis em outras. A busca da vida não se resume a rompante de mudanças alternadas, mas adquirir sabedoria de viver através do amadurecimento como ser e como cristãos.

Muitos falam de um amor a Deus que nunca existiu, pois testemunham de um amor por si mesmo.
“O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo”  Lucas 18:11a


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