segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Seja uma bênção onde estiveres

“Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção!” 
Gênesis 12:1-2.
Por Rev. Sandro Mariano Viana

No mês de aniversário dos 153 anos da Igreja Presbiteriana do Brasil posto este resumos da vida de Ashbel Green Simonton.

Em uma manhã de sexta-feira, 12 de agosto de 1859 um jovem pastor de 26 anos aporta em solo brasileiro deixando sua nação, seus amados, tendo em seu coração a missão de levar as Boas Novas do amor de Deus à jovem nação brasileira. 

A travessia do Atlântico levou quase dois meses no navio Banshee, os desafios no Brasil do século XIX eram descomunais como as barreiras do idioma da cultura da religião oficial (catolicismo romano) e o modo de trabalho escravo. A ausência de infraestrutura das províncias (cidades) favorecia a proliferação de epidemias de cólera (1856) e febre amarela (1850, 52, 53 e 54). Esse era o contexto do primeiro missionário presbiteriano no Brasil, o reverendo Ashbel Green Simonton, um homem vocacionado com uma árdua tarefa de instituir uma igreja protestante militante, isto é evangelizadora, abençoadora e relevante para sua geração. No dia 22 de abril de 1860, Simonton finalmente conseguiu dirigir seu primeiro culto em português, antes deste fato em virtude da falta de fluência na língua portuguesa suas prédicas eram realizadas em navios ancorados na Baía de Guanabara e em residências de estrangeiros. 

Em 12 de janeiro de 1862 organizou a primeira igreja presbiteriana do Rio de Janeiro e do Brasil. No final de março do mesmo ano precisou ir aos Estados Unidos, pois sua mãe estava seriamente adoentada. Logo que chegou, soube que ela falecera. Em sua estadia nos Estados Unidos, eclodiu a Guerra Civil (1861-1865). Uma das consequências desse conflito foi a divisão das denominações norte-americanas, inclusive a presbiteriana. No período em que ficou na casa de seus pais conheceu a jovem Helen Murdoch, com a qual veio a se casar em 19 de março de 1863. O casal Simonton chegou ao Rio de Janeiro no dia 16 de julho do mesmo ano. Em 28 de julho de 1864, apenas nove dias do nascimento de sua filhinha, Helen M. Simonton falece aos 30 anos devido a complicações resultante do parto. A menina recebeu o nome da mãe e foi entregue aos cuidados da irmã de Simonton, Elizabeth S. Blackford e seu esposo reverendo Alexander Latimer Blackford companheiro de ministério pastoral. Em 1865 surgem duas novas igrejas presbiterianas no Brasil, ambas na província de São Paulo. Simonton e seus colegas organizam o primeiro presbitério, o do Rio de Janeiro. Ordena o primeiro pastor brasileiro, o ex-padre José Manoel da Conceição. Nesse ano, quinze novos membros fizeram profissão de fé na igreja do Rio, fundou um seminário teológico e em 27 de novembro de 1867, Simonton chegou pela última vez a São Paulo para ver a filha Helen, estava enfermo do fígado com febres altíssimas. Na madrugada de 9 de dezembro de 1867, Simonton veio a óbito, poucas semanas antes de completar 35 anos. Em um dos momentos difíceis de sua vida em seu diário Simonton declara que: “Aqui é o meu campo de trabalho. Se Deus quiser, aqui hei de trabalhar e morrer.” 

Os obstáculos que Simonton tinha não o impedia de servir ao Senhor. Hoje 153 anos passados comemoramos o mover de Deus na vida de Simonton e de muitas gerações de homens e mulheres que serviram ao nosso Senhor Jesus, doando suas vidas na proclamação genuína das Boas Novas. Homens e mulheres que tornaram suas vidas relevantes, pois foram obedientes ao chamado divino, abençoando por onde passaram. O contexto de nossos dias é tão difícil e desafiador quanto nos dias de Simonton. O ser humano continua o mesmo em sua natureza. Os oceanos de dificuldades, doenças da alma e do corpo (carências) são intransponíveis aos olhos e condições humanas, mas assim como o Senhor moveu o coração de Abraão, o pai da fé e Simonton, Deus tem nos movido em oração e na proclamação das Boas Novas.


Para sermos bênção (e relevantes) na vida de pessoas, precisamos de fato entender de forma clara o nosso chamado e nos submetermos ao senhorio de Nosso Senhor Jesus na proclamação de sua Graça e amor em favor dos seus filhos amados. Há muitos aventureiros que acreditam estar fazendo a vontade de Deus, porém quando seus interesses são frustrados desanimam e consequentemente ficam pelo caminho. Simonton não era um homem que se garantia em seus méritos pessoais, esforços e intelecto, porém sua força vinha do Senhor, aos 22 anos teve a certeza de seu chamado “O serviço do Senhor será meu supremo alvo de vida.” Homem de oração e estudo contínuo das Escrituras Sagradas. Deus move o coração dos homens ao longo da história da humanidade para que o Seu nome seja engrandecido e sua graça seja derramada sobre os pecadores.      



Texto publicado em 16 de agosto de 2009 noBoletim da Terceira Igreja Presbiteriana de Taguatinga-DF
Texto publicado em 05 de agosto de 2012 no Boletim da Igreja Presbiteriana de Parnamirim-RN
Fonte de pesquisa: Os Pioneiros Presbiterianos do Brasil (1859-1900) – Aderi S. Matos – pág. 25
Série Colóquios Vol. 3 – Simonton 140 anos de Brasil – Profa. Dra. Maria Lucia S. Hilsdorf – pág 31


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