domingo, 7 de outubro de 2012

O urgente e o importante


Nesses dias tão estranhos, hoje, tudo se torna urgente menos o importante! O ritmo frenético dos nossos dias pulsa no bolso e compele os corações que afligem as consciências e desembocam num senso de preocupação permanente. As agendas das pessoas estão atulhadas de compromissos que esconde um abismo intransponível de um vazio de sentido existencial que não permite o mínimo de espaço se quer para o essencial só para o urgente.

A correria do dia a dia cria hábitos de soluções instantâneas que aliena e manipula as pessoas. São atitudes de uma crença mágica de uma vivência ilusória aonde tudo aparentemente se resolve imediatamente. É só abrir um pacote de um produto efervescente, pronto! Resolveu.

Os entretenimentos são modalidades modernas que consomem o tempo precioso e que esvai instantes de vida com o que não é importante transformando tudo na vida em urgências.
                                                                                                                
Em um mundo que foi acondicionado a consumir dejetos visuais e auditivos não se consegue conviver com o silêncio, a meditação e a reflexão, isso agride aos ouvidos adequados com ruídos e luzes frenéticas. A agitação se impõe ditatorialmente sobre os espaços da reflexão. Refletir e pensar lançam os seres humanos num ambiente desafiador. O tempo para a reflexão hoje traz culpabilidade sobre as consciências num mundo utilitarista e pragmático.

“A ordem dos fatores altera o resultado do pensamento” pelo fato de como compreendemos o significado do urgente diante do importante. Como priorizamos o essencial em detrimento do urgente.  
                                                                                                              
A cada amanhecer executamos rotineiramente frias atividades esquecendo-nos de nós mesmo e dos semelhantes que estão ao nosso redor nos amando, acreditamos religiosamente que construiremos o edifício do nosso “ser” pelas vias daquilo que temos ou adquirimos. Ser pelo que possuímos e para isso muitos negociam suas almas nos mercados da vida parcelando mensalmente suas horas de trabalho sacrificando sua convivência familiar e com Deus. Não sobra tempo para olhar nos olhos daqueles que amamos e os entregamos a estranhos que acreditamos que amará e cuidará melhor do que nós. Terceirizamos nossos sentimentos, delegamos ao estranho nossos filhos e família com a desculpa de que o que fazemos será o melhor para todos.

A legião de ansiosos aumenta a cada dia rendendo-se as suas agendas invertidas de valores. Trocaram o essencial pelo urgente tornando-se escravas de seus compromissos inadiáveis que na realidade nunca existiram. O essencial só é desvendado quando o urgente se dissipa como fumaça nas vicissitudes da vida.

Nossas vidas reduziram-se aos: “express”, “automático”, “online”, “fast”, “smart”, “self”, e “descartável”, onde banalizamos o essencial e priorizamos o irrelevante. São dias de incomuns e contraditórios valores de vida. Para uma geração que hiper valoriza as experiências emocionais não consegue compreende o valor das percepções mais básicas e fundamentais que se possa provar.

O moderno cristianismo não sabe mais o sentido da oração e da meditação. As novas gerações de cristãos carregados da “cultura do urgente” não compreendem e ainda não adquiriu o hábito correto da oração, meditação e reflexão. A meditação cristã não é supersticiosa, mística, mágica e nem instantânea.  Adquire-se com práticas diárias da leitura de fartas porções da Bíblia e a disposição de momentos de quietude em oração e reflexão. A impaciência das pessoas que participam dos modernos cultos não permite momentos de orações reflexões sobre a vida, pois o silêncio atrapalha o culto aos homens.

A sociedade “expresss” impõe às pessoas a urgência religiosa onde a paciência e a obediência são assolados constantemente, pois as pessoas foram acondicionadas e uma resolução dos seus problemas com os “abra cadabras”. A vida tecnológica induz a uma falsa realização de sonhos e desejos. As dificuldades da vida não se resolvem com uma ligação de um “smartphone” ou por um acesso aos Google, enviando mensagens para a “oração MSN” ou ao apertar o uma tecla do controle remoto as realidades são mudadas instantaneamente. A cultura “online” tapou a visão correta da realidade e as pessoas não querem aprender com o sofrimento tornando-se para sempre um Peter Pan, onde nunca crescem nem amadurecem e assim, tornam-se intolerantes, infantis, egoístas, esquisitas, bizarras e medonhas, pois não conseguem conviver na companhia do próximo.

A herança da sociedade “fast”, “smart” e “self” é envelhecer com uma boa aposentadoria na maior das solidões.

“Quando nossos sentimentos (o amor) não são tratados como essenciais se tornam mais um assunto das agendas atulhadas das urgências. Perde seu propósito resultando numa amarga e imperiosa obrigação a se cumprir”.

O dia de hoje deve ser tratado com a máxima importância e consciência, pois “o tempo não para” e a vida deve ser experimentada, sentida, vivida, percebida. Busquemos a sensibilidade da vida que vivemos. Puxe o feio de mão de suas rotinas e reavalie, não feche os olhos diante da sua vida e não permita que você se torne um covarde escravo e omisso com a maior bênção que você recebeu a sua vida.

Não somos vítimas, e precisamos cuidar de nossa natureza para não nos tornamos reféns de nossas paixões. 
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O trabalho O urgente e o importante de Sandro Mariano Viana foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
Com base no trabalho disponível em http://www.sandroviana.com/2012/10/o-urgente-e-o-importante.html.
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