quinta-feira, 21 de março de 2013

A Desumanidade da Humanidade


O grande poeta Renato Russo já cantarolava: 

"A humanidade é desumana
Mas ainda temos chance,
O sol nasce pra todos,
Só não sabe quem não quer" 

A desumanidade é tamanha que é necessário pleitear, criar regras e até princípios para aqueles que são considerados racionais, humanos. Garantir o direito dos humanos e não de uma pequena parte privilegiada ou de minorias, mas de uma humanidade que ainda não percebeu que nasceu gente.

O comportamento humanitário é fruto de uma convivência mútua dos diferentes, porém justa e igualitária. Quando não entendemos este espírito deixamos de ser humanos e nos tornamos piores que os irracionais.

O direito dos humanos é a luta para se ter a capacidade consciente e equilibrada de usufruir de livre condição de vida. Viver em liberdade sem distinção de cor, etnia, religião, sexo, limitações físicas, de origem, de classe social ou qualquer outra condição.

Ser reconhecida como pessoa, um ser humano em todos os lugares. Ter direitos de proteção contra qualquer discriminação ou tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.

Ser humano é ter dignidade de se sentir humano, gente.
É lutar por direitos com os que se acham mais humanos do que toda a humanidade.

Por favor, pelo menos faça a sua parte leia a Declaração Universal Dos Direitos Humanos.

Rev. Sandro M. Viana
Licença Creative Commons
O trabalho A Desumanidade da Humanidade de Sandro Mariano Viana foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
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quarta-feira, 20 de março de 2013

A Verdade em uma era de antiverdades


A Verdade em uma era de antiverdades (assuntos que incluem a pós-modernidade que está cada vez mais se camuflando em nossas igrejas).

"Que é a verdade?" 
Pilatos 

No filme Matrix o personagem Morpheus (Laurence Fishburne) pergunta para Neo (Keanu Reeves) se ele está disposto a conhecer a verdade e afirma: “O que é a verdade?” Toda trama se desenrola em um ambiente em que a humanidade vive a Matrix. Nesta obra as pessoas estão conectadas pelo cérebro a um grande sistema controlador que atende instantaneamente aos desejos e impulsos dos usuários.

A pergunta de Morpheus sempre ecoou em nossas mentes. Pela busca da verdade os maiores gênios da humanidade embarcaram numa odisseia sem um destino conclusivo. Aristóteles afirmava que desejamos conhecer a verdade, mas encontrar a verdade é outra completamente diferente. Muitas coisas parecem verdadeiras, mas na realidade não são. O existencialista Kierkegaard entendia que a verdade era o ético universal, isto é, comum a todas as pessoas, mas Nietzsche em seu livro O Anticristo esforça-se para destruir toda a compreensão de uma verdade absoluta. Sartre concluiu que não há leis ou normas no céu nem na terra que possam guiar a pessoa nas suas escolhas, isto é, as pessoas devem agir conforme seus impulsos e suas próprias vontades.

Diante das indefinições e contradições dos grandes mestres do pensamento humano sobre a verdadeira verdade, todos os dias bilhões de pessoas saem de suas casas em busca de sobrevivência sob as suas próprias percepções de verdades, agindo conforme as inclinações de suas próprias naturezas. As exigências das realidades da vida nos compelem diariamente para diante deste dilema. Como compreender e viver a verdade?

Os profetas dos nossos tempos: Os cientistas sociais, músicos, filósofos, poetas, pintores, escritores, denunciam no que se transmutou a humanidade. Gilles Lipovetsky filósofo francês pinta um retrato do homem dos nossos dias o da hipermodernidade descrito como: hedonista, consumista, exagerado, fútil e vazio.

Os homens trazem em sua essência a imago dei (imagem de Deus) impressa em suas almas. Alguns atributos do criador refletidos na criatura como o senso de justiça, porém o ser humano se trai ao trocar a verdade em detrimento de seus interesses próprios e cobiças. Debaixo do véu do cinismo social a inexorável verdade das sociedades ocidentais capitalistas pós-cristã exalam com a mesma intensidade insana e nitiniana  a morte real não de Deus, mas de uma humanidade decadente que está em estado adiantado de deterioração social, The Walking Dead . As decepções experimentadas pelos resultados deixados por duas Grandes Guerras Mundiais, explosões de bombas nucleares milhares de judeus, ciganos, homossexuais, negros foram massacrados. O tráfico de armas, drogas e seres humanos, ataques terroristas, corrupções, desigualdades sociais, fome, epidemias mutantes por manipulações genéticas bacteriológicas e globalizadas, envenenamento de mananciais de água potável, poluição do ar da terra, uso de conservantes em alimentação humana hipercalóricas, extinção e devastação da fauna, flora e o hiper aquecimento global, não assombra o insensível homem “high tech”. As catástrofes são encaradas com indiferença e ironia, pois as perspectivas do homem hipermoderno reduziram-se ao o “aqui e o agora”. A vida não tem tanta motivação para ser vivida, já que ela é encarada como finita e entrelaçada com o terror iminente da violência e da morte, deve ser experimentada intensamente, existir extravagantemente, pois não há tempo a perder e nem o que se perder. Dessa maneira não há grandes expectativas de futuro e as contas são deixadas para as próximas gerações.

O doutrinamento niilista massivo e feroz injetado na alma das pessoas está sob a égide da felicidade materialista que conduz para a coisificação de tudo como objeto de consumo instantâneo. Venderam suas almas e sepultaram suas consciências para permanecerem escravos de seus prazeres. Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza experimentou intensamente seu tempo e denunciou em sua canção Ideologia o homem pós-moderno:
“E as ilusões
Estão todas perdidas
Os meus sonhos
Foram todos vendidos
Tão barato
Que eu nem acredito
Ah! eu nem acredito...
Ideologia!
Eu quero uma pra viver”

O mundo dos homens é uma sociedade vazia, atordoada, apática e indiferente ao seu semelhante. Bipolar emocionalmente que cria sentido no fútil. Os homens são auto adoradores de si mesmos, veneram a estética, o corpo em detrimento da ética, narcisistas, descartáveis, volúveis e hedonistas, tudo se transforma num grande espetáculo em insólitos minutos de inglória. A cultura pós-moderna relativiza verdades colocando os desejos e paixões humanas como referencial de verdade, seu amor-próprio busca a felicidade própria sem precisar do outro é individualista por excelência.

“Não se colhem figos de espinheiros, nem dos abrolhos se vindimam uvas.”   Essa foi a afirmação de Jesus sobe a capacidade do coração humano produzir frutos. A sociedade pós-moderna está refém de si mesma relativizando verdades e colhendo frutos absolutos de suas mentiras. As verdades dos homens estão carregadas de suas próprias tendências, inclinações e paixões, sua essência. É por isso que as verdades dos homens nunca chegarão a um consenso comum ou universal e nem serão absolutos!

Dave Grohl baterista da famosa banda de Seattle, Nirvana, quando soube do suicídio de seu amigo o vocalista Kurt Cobain afirmou: "Às vezes você apenas não pode salvar alguém de si". São milhões de jovens que preferem entregarem-se as suas próprias verdades acreditando que fazendo os desejos e paixões de seus corações estarão no caminho da verdadeira felicidade. Um verdadeiro engano!

Lamentavelmente assistimos a uma humanidade carente de limites e reafirmações de valores, pois ela não está disposta a submeter-se a verdade, são escravos de suas próprias verdades, paixões. Jesus conversando com seu amigo Pedro, afirmou: “as portas do inferno não prevalecerão contra a igreja”  . Isto foi dito pelo fato da igreja, as pessoas que formam a comunidade cristã estarem atentas aos mais sérios e variados tipos de investidas que sofreriam. Ataques que viriam tanto de fora como de dentro da própria igreja. As advertências sempre foram constantes: “Vede que ninguém vos engane. Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos” .
A verdade dita da boca de Cristo tem sido negligenciada pela maioria dos cristãos, pois assim como os que estão fora da igreja, no mundo, preferem calar a verdade de Deus em suas vidas em detrimento de suas próprias verdades. Havia uma igreja na Ásia Menor no primeiro século que tinha sérios problemas com a verdade. Conheciam a verdade de Deus que se aprendia pela Bíblia, mas não praticavam, pelo contrário faziam tudo aquilo que trazia escândalo. Quando a verdade de Cristo é calada no seio da igreja os frutos que brotam dentro das comunidades cristãs são tão fétidos quanto os que estão em qualquer beco da vida. Paulo adverte aos cristãos que sejam como perfume: “Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo”  . Jesus adverte a sermos sal , pois o sal não deixa a carne apodrecer, conserva e dá sabor a vida ao mundo e aos homens. A verdade para que seja de fato exercida é necessário que seja obedecida, pois não existem meias verdades, mas mentiras por completo.
O culto cristão hedonista transformou a igreja num palco, picadeiro de mau gosto com levitas apaixonados em uma adoração extravagante. É por esse fato que a religião evangélica tem crescido assustadoramente no Brasil, pois a igreja contemporânea está semelhante a sociedade que relativiza a verdade em detrimento de seus interesses próprios.

A linda noiva, a igreja de Jesus Cristo, vestida de branco foi empurrada num pântano fétido de ganância e imoralidades, maculada por rufiões, sacerdotes travestidos com animus homicida.

Antes de Kierkegaard, Nietzsche, Sartre entre outros negar a verdade sempre trouxe consequências de morte. Esta triste e velha realidade da essência da alma humana foi exposta por Paulo de Tarso quando afirmou: “estando vós mortos nos vossos delitos e pecados”   e “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça”. Não é de agora que a verdade vem sendo distorcida, pois é da natureza do coração humano. O comportamento de uma sociedade inconsequente e corrompida é reflexo de corações humanos insensibilizados por sua própria natureza pecadora.

Lamentavelmente as verdades relativizadas do mundo são as mesmas que são vividas e buscadas nas igrejas cristãs destes dias.

O teólogo Francis A. Schaffer afirmou: “Eis o grande desastre evangélico: a negligência em defender a verdade como verdade. Há apenas uma palavra para isso: acomodação – a igreja evangélica se acomodou ao espírito mundano desta época”.

Os cristãos hoje estão secularizados, relativistas e hipermordenos abraçaram todos os tipos de distorções da verdade em detrimento do lucro e do poder. O espetáculo instalou-se nas igrejas numa drástica e rápida mudança sob a ideologia mercadológica. A exposição de “curas” “milagres” e “exorcismos” só fazem aumentar o apetite insano do consumismo instantâneo religioso que enriquece charlatões travestidos em cascas pesadas de falsa piedade e nítida hipocrisia religiosa.

Notas:

[1] Ref. ao pensamento do filósofo alemão Friedrich Nietzsche
[2] Série de TV que exibe violência gratuita sob uma perspectiva social humana decadente formada por zumbis.
[3] Lc 6:44b
[4] Mt. 16:18
[5] Mt. 24.24-25
[6] 2ª Co 2:15
[7] Mt 5:13


Bibliografia pesquisada:

Bíblia Sagrada - Revista e Ateualizada
A Era do Vazio - Gilles Lipovetsky
Introdução à Filosofia - Norman L. Geisler
Fundamentos Inabaláveis - Normam Geisler
Sociedade Sem Pecado - John MacArtur
O Aticristo - Friedrich Nietzsche
Filme: Matrix Cap 12

Licença Creative Commons
O trabalho A Verdade em uma era de antiverdades de Sandro Mariano Viana foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
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