terça-feira, 5 de agosto de 2014

Negligência uma fera devoradora

“Ouça, meu filho, a instrução de seu pai e não despreze o ensino de sua mãe.
Eles serão um enfeite para a sua cabeça, um adorno para o seu pescoço”.
Provérbio de Salomão 1.8

As vésperas da comemoração do dia dos pais paira sobre nós uma espessa nuvem de desespero e pavor que é pulverizada pelas más notícias que diariamente se esvaem por todos os meios de comunicação. Um filme de terror diante de nossos olhos que assola a vida real pelos mais baixos níveis de moralidade da alma humana e denunciam como andam os cuidados com o futuro deste mundo e da humanidade.

Infelizmente o museu de horrores e crueldades humanas coleciona um rico acervo histórico de desgraças onde crianças são atiradas por janelas de apartamentos, caso Isabella Nardoni em (2008), são exterminadas com injeção letal e enterradas vivas, caso menino Bernardo (2015), largados em rios, caso menino Joaquim (2013), crianças que são fritadas em carros por serem esquecidas pelos pais, criança de 2 anos passa 5 horas e morre dentro do carro em Mato Grosso (2013), crianças jogadas em privadas e atoladas em cano de esgoto, China (2013), andam sozinhas em parapeitos de prédios, Índia (2014), esmolam em semáforos e desta vez um garoto de 11 anos diante de uma jaula de um tigre teve seu braço devorado pelo animal enquanto bailava diante do pai e daqueles que filmavam a fatal brincadeira de morte.

O grande problema está na incapacidade dos responsáveis pelos pequeninos em poderem amar seus filhos de fato e educa-los na disciplina amorosamente sem serem bipolares emocionais. Quando são complacentes com pequenas mentiras e transgressões achando bonitinho caem para o lado extremado e severo com surras, gritos e lesões corporais alegando como compensação por seus comportamentos exagerados permitindo que seus filhos façam o que querem.

Pais que não conseguem enxergar a beleza da vida nas coisas mais simples e que tentam preencher seus vazios corações com ostentações e vaidades materialista possuem uma relação doentia e desequilibrada emocionalmente vivendo sem limites e ausentes de sues filhos e que tentam criá-los quando estão diante deles comprando-os com presentinhos e quebram propositalmente os limites prejudicando assim o ensino dos princípios mais fundamentais para aqueles que estão em situação de risco.

O delegado que acompanha o caso do menino que perdeu o braço pelo ataque do tigre fez um questionamento contundente que me levou a esta reflexão 

“Não havia se quer uma pessoa que estavam filmando pudessem avisar diante de tamanho perigo?”.

Quem?
Quem hoje pode se quer avisar alguma criança ou adolescente sobre um eminente perigo ou uma conduta transgressora? Ninguém em sã consciência quer ou pode corrigir proteger ou avisar os filhos alheios, isso socialmente é considerado uma atitude arriscada e até insensata, pois quando um filho é chamado a atenção logo os pais tornam-se umas bestas feras e saem de suas jaulas e partem para o ataque.

Ao mesmo tempo nesta relação desequilibrada e incoerente entre pais e filhos pesa a ausência dos responsáveis justamente nos momentos cruciais da educação dos filhos e como demonstração de bondade paternal ignoram ou quebram as regras mais fundamentais para a sobrevivência humana como uma prova inepta compensadora de amor.

Lamentavelmente as mortes de jovens por mortes violentos e fúteis estão ligados diretamente a uma falta de educação e conscientização a respeito de leis e normas de convivência.

Nós adultos hoje investimos maciçamente no conhecimento, nas técnicas das formações profissionais, mas vergonhosamente nossos avós que moravam em áreas rurais e que não tinha 10% do conhecimento que possuímos eram sábios a ponto de serem analfabetos e formarem seus filhos sem traumas e sem terapias. Os casamentos eram respeitados e nada virava éter (volátil). Pagamos o preço de sermos a geração que mais sabe, porém os mais insensatos. Conhecimento não é sinônimo de sabedoria!


No trágico caso do garoto do jardim zoológico a negligência ou quebra de limites na compreensão do senso de responsabilidade mínima do filho trouxe ao pai uma dor irreparável de culpa martirizando-se por toda a sua existência pela culpa da perda de um dos membros do corpo de seu filho. É incomensurável! O que dizer de mães e pais que perdem seus filhos para o crime organizado? 



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Negligência uma fera devoradora está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em http://www.sandroviana.com/2014/08/negligencia-uma-fera-devoradora.html.

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