A ditadura das ditaduras

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Guerras e rumores de golpes em países subdesenvolvidos democraticamente fragilizados por governos corruptos tornou-se tão corriqueiro que já insensibilizou a alma humana.

As modalidades de imposições ideológicas e culturais são vividas de forma velada no contexto desses dias. São regrar implícitas que empurram milhões de pessoas a comportamentos bizarros tudo em nome de certas imposições sociais.

Os dias extremos que vivemos mostra como anda a alma humana. Todos os tipos de ditaduras se instalaram ideologicamente entrincheiradas justamente naquilo que acreditamos ou chamamos de democracia do consumo.

A ditadura da beleza impõe uma cruel regra pelos padrões globais atuais de perfeição, são corpos alterados por cirurgias estéticas que exaustivamente são exercitados por horas e horas em academias seguindo uma rígida dieta alimentar. A ditadura da beleza que trás um eterno e insaciável descontentamento de si mesmo deixaria Narciso constrangido com tamanha autoidolatria.  Nessa ditadura é proibido adoecer, engordar, envelhecer e muito menos morrer!

Há a ditadura da felicidade que é a busca incansável por pessoas ou ocasiões (condições) que tornem as pessoas felizes a qualquer custo; “O the end” dos contos de fadas que depois de duas horas de filme ou assistindo um ano capítulo após capitulo de uma telenovela terminam obrigatoriamente felizes para sempre. Nessa ditadura é proibido entristecer-se, aceitar o que é e quem somos.

Há a ditadura da super espiritualidade que é busca doentia pelo transcendente e místico viver pela perfeição de modelos rígidos religiosos que utiliza exaustivamente do marketing religioso com o propósito de vender produtos e serviços na tentativa de trazer equilíbrio e paz de espírito para os mais abastados e a ilusória realização material para aqueles que penam em suas duras realidades de escassez. Essa é uma das mais cruéis ditaduras que tenta justificar a esquizofrênica e desiquilibrada compreensão de fé através de uma existência carregada e pesada de compreensões minimalistas no ofício sacerdotal de líderes manipuladores que lança mão de inúmeras superstições acreditando serem maiores e melhores que seus semelhantes. Aqueles que nessa modalidade acreditam que recebem de Deus mensagens exclusivas via SMS, Facebook, Whatsapps espirituais colocando-se como mediadores ou messias (ditadores) com “power” poderes exclusivos que arrastam legiões de seguidores tietes (ou fãs). Nessa ditadura é proibido chorar, perder, adoecer, assumir, confessar, ser.

A vida em alto desempenho quantificou tudo para além do suportável para além do normal para além do humano tudo é: over, super, mega, giga, tera. As ditaduras reafirmam a estupidez cristalizando a ignorância onde pessoas perdem suas vidas em clinicas de estéticas, onde miríades busca satisfação própria almejando a sua deificação através de aditivos (drogas). 

As experiências estão acima da reflexão os sentidos estão acima do pensamento e a fé torna-se escravizada pelas compulsões apaixonadas. As propagandas despejam constantemente valores de uma sociedade que nega a humanidade a velhice e o fim da vida (a morte).
A catequização da mídia incansavelmente expõem seus produtos como solução pela felicidade instantânea através do consumo exagerado de álcool porém advertido hipocritamente com moderação ou a licenciosidade com proteção (preservativos). Tudo é resolvido com uma pomada, uma pastilha, um efervescente, um band-aid, remedinhos ou um truque mesmo que por alguns minutos os sonhos se satisfaçam. Essa coisificação chega na compreensão da fé cristã onde tudo deve ser resolvido pagando um alto pedágio através rituais de pajelanças, mandingas e apetrechos (amuletos).

A desumanização das pessoas que segmentam a vida e transformam seus corpos em partes cobiçadas criando fetiches que acorrenta almas já infectou há muito todas as áreas da sociedade pós-moderna.

Um retorno a humanização está nas palavras de Cristo:  “E nenhum de vocês pode encompridar (aumentar um segundo no relógio da sua existência) a sua vida, por mais que se preocupe com isso”. Mateus 6.27

Fomos chamados para viver a vida como somos em simplicidade sem remendos que tentam tapar o que ou quem realmente é, sem aditivos ou turbinas, sem (d)efeitos especiais que ofusque quem está por trás das inúmeras camadas de maquiagens ou por debaixo das armaduras de vestes caríssimas de etiquetas e grifes de renomes que falsamente criam uma personalidade em gente sem caráter.

As ditaturas não são mais que imposições que dão sentido entretendo por um curto período a uma existência vazia, pois para o metabolismo das células o tempo não para e continuam envelhecendo e falhando (doenças).

Precisamos assumir quem de fato somos! Ou então buscaremos aditivos para tentar turbinar o que não há mais, alma! Cazuza já afirmava:
“Eu vou pagar a conta do analista
Pra nunca mais ter que saber quem eu sou”. 



Rev. Sandro M. Viana (Primavera de 2014 - Natal/RN) 




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Baseado no trabalho disponível em http://www.sandroviana.com/2014/11/a-ditadura-das-ditaduras.html.

Sandro Mariano Viana

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