terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Violências um Batismo de Sangue

Acompanhar as notícias nos telejornais é como abrir um prontuário de autópsias de horrores! O grande tema em voga são as violências. Temos a certeza que há algo no mundo em que vivemos que é desumano! A lista de crimes praticados pelas pessoas a cada dia aumenta e se torna mais especializada com requintes de execuções. O desgoverno dos governos mundiais e a certeza do desamparo das estruturas institucionais colocam os cidadãos em um estado de espírito beligerante. O grande clamor social destes dias é a autotutela, isto é, a forma mais primitiva de saciar o desejo de vingança com as próprias mãos! O derramamento de sangue humano serve de combustível para inflamar as explosões de ódio e insanidade.

A dura verdade da realidade social de nossos dias é testemunhada pela crescente e vertiginosa evolução tecnológica que tem como fim principal atender aos anseios mais animalescos da vaidosa natureza humana, isto é, uma sociedade que cada vez mais vive em função da satisfação e da busca por prazeres. Proporcionalmente a evolução tecnológica a degradação moral das pessoas nos causa um assombro. O escritor bíblico Paulo afirmava em uma de suas cartas ao seu amigo Timóteo:
“Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, soberbos, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus”. 2ª Timóteo 3.1-4

O ser humano está a cada dia desumanizando-se! Criando e consumindo em sua própria cultura global de autodestruição. Comendo e bebendo de sua própria carne e sangue. A grande questão desta reflexão não possui um espírito niilista, mas um olhar criterioso e sóbrio diante dos fatos que são cinicamente escamoteados com o desejo de promessas vazias que algum dia este triste quadro desesperador possa mudar.  Como?

O Planeta Terra está ruindo por um câncer que o consome há milhares de anos. Se todos os recursos naturais dependessem de nossos esforços já estaríamos extintos!

A bandeira do livre-arbítrio que é apregoada como a ideologia do poder fazer o que dá na cabeça revela o quão cativa é a alma humana na sociedade do “grande olho” ou “big brother” que nos colocou num ambiente confinado onde nossos comportamentos são avaliados como hamsters sociais” observados por câmeras onipresentes 24 horas por dia. Os altos índices de dependentes em todos os tipos de drogas, sexo e compradores compulsivos de ilusões que tentam apagar suas culpas em consultórios terapêuticos através de medicações pesadas de tarja preta só mostram o qual viciáveis somos em nossa natureza! Transpomos rapidamente a fronteira de agressores para vítimas numa fuga a todo custo de assumir nossas responsabilidades das péssimas escolhas que fizemos e no final queremos celebrar!
O poeta Renato Russo em sua canção Perfeição já expunha claramente estes sintomas insanos do mundo que fazemos parte:

Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos covardes
Estupradores e ladrões

Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação

Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
...
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
...

Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada

Ao analisar o comportamento humano o que realmente vemos é uma humanidade refém de si mesma o maior medo não são de fantasmas, almas penadas, Bicho-papão ou seres de outro mundo, mas de nós mesmos, humanos! De agressores dolosos nos tornamos vitimas com síndrome de Estocolmo. 

Tínhamos medo que o Mundo se acabasse por guerras nucleares, mas estamos nos devorando a nós mesmos num real “the walking dead”.
O filósofo francês Augusto Comte cunhou a palavra “altruísmo” que caracteriza o conjunto das disposições humanas (individuais e coletivas) que inclinam os seres humanos a dedicarem-se aos outros. Esse conceito opõe-se, portanto, ao egoísmo. Traz ao conceito o sentido de solidariedade, bondade e generosidade. 

A humanidade foi criada para exercício das suas funções de convivência mútua, inteligência, racionalidade e lógica. Só os humanos possui o atributo de amar e produzir cultura. O único animal que pode se comunicar e interagir com seus semelhantes.

Diante das desordens e atrocidades humanas há um intento de colocar o Criador fora desta casa da “mãe Joana” que se tornou o Mundo. Quando os atos divinos de justiça recaem sobre a humanidade como consequências das escolhas dos homens, Deus não sai ileso de suas ações. É amaldiçoado, renegado, zombado e blasfemado.

Paulo em sua carta destinada aos cristãos que estão em Roma descreve esta condição:
“A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça”. Romanos 1.18.
“Ora, conhecendo eles (a humanidade) a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem”. Romanos 1.32

A cada dia a vida tem perdido seu valor, seu sentido e a morte tornou-se uma nova fronteira desconhecida da perigosa e frívola existência, um passaporte para o nada como se acreditassem que podem viver aqui e não lhes serão cobrados pelo que fizeram. Quanto engano!

No meio dos despojos de uma sociedade que “produz” destruição e morte há um farol que ilumina a alma humana. O grande rei Davi afirmou:
O Senhor é compassivo e misericordioso, mui paciente e cheio de amor. Salmo 103:8
...
Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniquidades. Salmo 103.10

Em meio às injustiças e rios de sangue o Criador tem um longo ânimo ou longanimidade frente à tamanha perversidade das criaturas.

A humanidade não mede esforços em ir à Lua, mas não consegue balbuciar “perdoe-me”!
Um antigo profeta hebreu, Jeremias já ecoava: “Assim diz o SENHOR: Executai o direito e a justiça e livrai o oprimido das mãos do opressor; não oprimais ao estrangeiro, nem ao órfão, nem à viúva; não façais violência, nem derrameis sangue inocente neste lugar”.  Jeremias 23.3

Somos responsáveis pelo Mundo que temos e o tempo todo nos é dado à oportunidade de lutarmos contra esta cultura de ódio instalada no mundo em que vivemos.

Rev. Sandro Mariano Viana (Natal,RN)


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Violências um Batismo de Sangue de Sandro M. Viana está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em http://www.sandroviana.com/2014/01/violencias-um-batismo-de-sangue.html.
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