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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A parábola do bom palestino

Um importante e fervoroso sacerdote mestre da Lei se levantou e, querendo encontrar alguma prova contra Jesus, perguntou: 

“Mestre, o que devo fazer para conseguir a vida eterna?” 

Jesus respondeu: “O que é que as Escrituras Sagradas dizem a respeito disso? E como é que você entende o que elas dizem?”

O sacerdote respondeu: “Ame a Deus, com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças e com toda a mente. E ame o seu próximo como você ama a você mesmo.” 

“A sua resposta está certa!” — disse Jesus. — “Faça isso e você viverá”. 

Porém o mestre da Lei, querendo justificar-se, perguntou: “Mas quem é o meu próximo?” 

Jesus respondeu assim:

Após uma semana árdua de trabalho humanitário numa escola em Jerusalém um homem (judeu) indo a caminho para sua casa na Faixa de Gaza foi furtivamente alvejado por estilhaços de concreto de um prédio atingido por um míssil lançado de um avião supersônico israelense.

Na correria do resgate a crianças e mulheres o homem ficou esquecido debaixo de lajes e escombros gemendo com seu corpo dilacerado e ensanguentado por horas esperando ajuda. Passa por perto daquele moribundo um aparamentado importante sacerdote que descia por aquele caminho, vinha do templo quando ouviu e viu o homem agonizando, fingiu atender o celular e passou pelo outro lado da estrada não querendo sujar sua indumentária. Também passou por ali um premiadíssimo cantor pop religioso. Olhou e também foi embora pelo outro lado da estrada. Mas um palestino que estava viajando por aquele caminho chegou escutou o gemido. Quando viu o homem, teve grande misericórdia dele. Então se aproximou dele e cavando com a mão retirou pesados escombros e limpou os seus ferimentos em seguida o enfaixou. Depois disso, o palestino colocou-o na sua caminhonete e o levou para um hospital em Hebron, onde foi internado em estado grave. No dia seguinte, o palestino pagou o hospital particular com seu cartão de crédito com uma semana antecipada aquele desconhecido, dizendo aos médicos: — Tome conta dele. Quando eu passar por aqui na volta, pagarei o que vocês gastarem a mais com ele.

Então Jesus perguntou ao mestre da Lei: — "Em sua opinião, qual desses três foi o próximo do homem ferido?"  “Aquele que o socorreu!” — respondeu o mestre da Lei.

 E Jesus disse: “Pois vá e faça a mesma coisa”.

Parabolando por Rev. Sandro M. Viana. Evangelho de Lucas Cap. 10:25-37 Licença Creative Commons
A parábola do bom palestino está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em http://www.sandroviana.com/2014/08/a-parabola-do-bom-palestino.html.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A sociedade do excesso

Na nova era, princípios como individualismo e mercantilização da vida levaram à cultura do exagero. Não basta ser ou ter muito. O que vale é o conceito do hiper.
Por Camilo Vannuchi

Primeiro veio a modernidade, com a valorização do indivíduo e do mercado e a confiança no progresso pela ciência. Tradição e fé foram banidas pelo pensamento iluminista em nome de um futuro promissor que nunca chegou. Em vez de bem-estar generalizado e felicidade mundial, a modernidade trouxe cidades inchadas, miséria, poluição, desemprego e stress. A confiança no futuro caiu por terra e foi substituída, na segunda metade do século XX, por um hedonismo sem ilusões. Planos de carreira, projetos de família e toda atitude que visasse a uma escalada racional rumo ao porvir foram substituídos pelo culto ao presente. O ocaso das ideologias e a pulverização das religiões a partir dos anos 70 trouxeram a certeza de que os tempos vindouros não seriam as maravilhas prometidas. A geração do desbunde interpretou esse sentimento de maneira festiva, com a revolução sexual e de comportamento. Essa fase, chamada pós-modernidade, também já acabou.
Foi substituída por uma nova era, na qual a festa cedeu espaço à tensão. Para o filósofo francês Gilles Lipovetsky, abriram-se as portas da hipermodernidade.

Professor de filosofia na universidade de Grenoble, na França, Lipovetsky despertou interesse – e muitas críticas – ao se debruçar sobre temas considerados, até então, pouco importantes pela intelectualidade. É de sua lavra, por exemplo, o livro O império do efêmero (Cia. das Letras), de 1987, no qual analisou o fenômeno da moda. No ano passado, publicou na França outro petardo de novidade: Le luxe éternel (ed. Gallimard), ainda inédito no Brasil, em que faz suas considerações sobre o crescente consumo de luxo. Lipovetsky chega a São Paulo no dia 18 para lançar Os tempos hipermodernos (Editora Barcarolla), escrito em parceria com Sébastien Charles, professor de filosofia da Universidade de Sherbrooke, no Canadá. Nas duas semanas que ficará no Brasil, participará de debates na Faap, em São Paulo, e na Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), em Campinas, e ministrará a aula inaugural de comunicações na PUC de Porto Alegre.

Polêmico e cativante, é o próprio Lipovetsky quem dá a dica para entender sua obra mais recente. “De fato, a pós-modernidade nunca existiu. O termo implica fim da modernidade, mas ela nunca acabou. Entre 1970 e 1990, houve apenas um breve período de redução das pressões sociais. Mas elas reapareceram ainda mais fortes”, diz. “No momento em que triunfam a tecnologia genética e a globalização liberal, o rótulo pós-moderno já ganhou rugas. Aliás, tínhamos uma modernidade limitada e hoje temos uma modernidade consumada, uma segunda modernidade a que chamo hiper.” Segundo ele, os três elementos centrais da primeira modernidade – o individualismo, o cientificismo e o mercado – estão no auge. A globalização e o fim das grandes ideologias produziram um individualismo sem precedentes: daí o fenômeno da moda e do consumo de luxo, responsáveis pela aquisição de identidade numa época em que ela já não é determinada pela posição política ou religiosa. O cientificismo inaugurado no iluminismo é pequeno quando comparado ao hipercientificismo atual, capaz de controlar o nascimento, o envelhecimento, a alimentação, a beleza e a morte (inseminação artificial, clones, transgênicos, cosméticos e vacinas são os sintomas).

Objetos de desejo – Finalmente, a produção de mercado evoluiu para uma sociedade de hiperconsumo, na qual a mídia e a publicidade ocuparam o espaço da Igreja e do Estado como poderosas instituições de coação. Nesse mundo novo, modelos tornam-se ícones de sucesso profissional e grifes despontam como os principais objetos de desejo. Perpetua-se o que Lipovetsky chama de sociedade do excesso. “Hipercapitalismo, hiperclasse, hiperpotência, hiperterrorismo, hiperindividualismo, hipermercado, hipertexto – o que mais não é hiper? O que mais não expõe uma modernidade elevada à potência superlativa?”, escreve ele.

Coordenador do programa de pós-graduação em comunicação da PUC do Rio Grande do Sul e doutor em sociologia pela Sorbonne, Juremir Machado da Silva bebeu da fonte dos mesmos estudiosos franceses que ajudaram a compor a interpretação de Lipovetsky, de Jean-François Lyotard a Jean Baudrillard. “Gilles Lipovetsky sempre foi o mais entusiasta da pós-modernidade, caracterizada por uma sociedade pós-moralista, aberta para a diferença. Agora ele ressurge cauteloso, ciente de que as coisas não funcionaram tão bem. Se a pós-modernidade foi uma festa, a hipermodernidade é a ressaca”, compara. No ano passado, Juremir Machado traduziu o pequeno livro de Lipovetsky, Metamorfoses da cultura liberal (ed. Sulina). “Baudrillard falava em simulacro. A humanidade colocou o virtual acima do real, passou a preferir o replay do lance pela tevê ao gol visto no estádio. A cultura do excesso é isso: as coisas parecem verdadeiras, mas são exageradas. São bolhas que, se a gente colocar um alfinete, estouram”, completa.

Exagerado – Os habitantes desse mundo exagerado sentem o peso da cultura do excesso. No lugar das velhas instituições – que exerciam uma disciplina autoritária – surge o autocontrole, mais careta do que anunciavam os arroubos libertários de 30 anos atrás. Na opinião do filósofo canadense Sébastien Charles, isso se dá porque a desagregação do mundo da tradição é vivida não mais sob o regime da emancipação, e sim sob o da tensão, provocada por fantasmas como desemprego, colesterol, stress e ataques terroristas. O “carpe diem” (aproveite o dia) descontraído transformou-se em presencialismo angustiado, por falta de perspectiva. “É o medo o que importa e o que domina em face de um futuro incerto. A profissão de fé não é mais ‘goze sem entraves’, e sim ‘tenha medo em qualquer idade’”, resume ele.

Com isso, surgem novas patologias individuais como o consumismo, a anorexia, a bulimia, o pânico, o voyeurismo perante a hiper-realidade dos reality shows. “O homem está desbussolado. Na primeira modernidade, a sociedade era ‘pai-orientadada’, organizada verticalmente, e o grande desafio era descobrir como chegar à diretoria, ao topo da pirâmide familiar ou profissional. Hoje, a questão é: aonde ir?”, diz o psicanalista Jorge Forbes, que assina a orelha da edição brasileira de Os tempos hipermodernos. “A psicanálise não é mais ferramenta para que o paciente se liberte do passado e enfrente o futuro já conhecido. Ele tem que descobrir qual caminho seguir”, conta.

Enquanto a sociedade aprende a lidar com a ausência de caminho preestabelecido e descobre como viver no mundo não-pai-orientado, a hipermídia ajuda a criar a referência que falta. Na hipermodernidade, a identidade não é natural ou herdada. Ela precisa ser composta. A moda, o luxo e a indústria cosmética – que cresce 20% ao ano no Brasil – contribuem para isso. “O principal motivo para a aquisição de artigos de luxo não é mais a busca por status. É a vontade não-racional de adquirir identidade. Junto com uma etiqueta vêm embutidos conceitos de tradição”, considera Carlos Ferreirinha, coordenador do MBA em Gestão do Luxo, da Faap. Isso significa que, a tiracolo, as pessoas levam elementos que refletem o que têm na essência. Idéia semelhante é compartilhada pelo antropólogo mexicano Mauricio Genet Guzmán Chávez, que apresentou este ano a tese de doutorado em sociologia política “O mais profundo é a pele: sociedade cosmética na era da biodiversidade” na Universidade Federal de Santa Catarina. “O corpo adquire lugar central no processo identitário. Tatuagens e piercings dizem muito sobre as pessoas. A organização dos grupos na sociedade cosmética é baseada na aparência, na roupa, em elementos externos”, diz o autor. É como se, diante de uma crise de identidade ou de uma repentina depressão, bastasse recorrer a um tatuador ou a um cirurgião plástico para resgatar a sensação de conforto.

Ética do futuro – Na sociedade hipermoderna, tudo pode ser consumido. Ou quase. Curiosamente, cresce a noção de que a própria saúde e a do planeta são intocáveis. Por isso vê-se a crescente medicalização da vida e uma atenção especial em relação ao meio ambiente, que Gilles Lipovetsky chama de ética do futuro. “Ante as ameaças da poluição atmosférica, da mudança climática, da erosão da biodiversidade, da contaminação dos solos, afirmam-se as idéias de desenvolvimento sustentável e de ecologia industrial, com o encargo de transmitir um ambiente viável às gerações que nos sucederem”, escreve. Ao mesmo tempo, voltam elementos do passado, travestidos em sentimento nostálgico. Na pós-globalização, também a busca das origens soma-se à moda e à vaidade nas trincheiras da identidade. Arte naïf, música regional, modelitos vintage garimpados em brechós e turismo de memória são, segundo Lipovetsky, grandes tendências culturais para os próximos anos. Em algum lugar do futuro – mesmo que seja em um passado revisitado – estará a bússola de que o homem hipermoderno tanto precisa.

Na sociedade hipermoderna, a aparência é cada vez mais valorizada. Não basta ser competente, é preciso ter um rosto pouco marcado pelo tempo. Por isso, a cada dia a indústria farmacêutica lança no mercado produtos que prometem rejuvenescimento a curto prazo. Os tops de linha são os cosmocêuticos: remédios que agem nas camadas profundas da pele e têm efeitos cientificamente comprovados (o que nem sempre acontece com os cosméticos) no combate a rugas e manchas. Além desses produtos vendidos em farmácias, há os procedimentos realizados por dermatologistas, como o famoso Botox (toxina botulínica) e medicamentos que preenchem rugas profundas. “Há ainda os tratamentos a laser que rejuvenescem a pele em poucas horas, sem deixar cicatriz”, diz a dermatologista Mônica Aribi Fiszbaum, de São Paulo. Os preços variam. Mas sem dúvida não cabem num bolso que não seja também hipermoderno.

Gilles Lipovetsky (Millau, 24 de setembro de 1944) é um filósofo francês, professor de filosofia da Universidade de Grenoble, teórico da Hipermodernidade, autor dos livros A Era do Vazio, O luxo eterno, O império do efêmero, A felicidade paradoxal: ensaio sobre a sociedade do hiperconsumo, entre outros

Fonte: Isto É acessado em 21/09/2012.



segunda-feira, 18 de junho de 2012

A Teologia das Redes Sociais


(A Teologia do Facenstein = Facebook + Frankenstein)
Rev. Sandro Mariano Viana

Na evolução das comunicações globalizadas passamos pela carta, rádio, código morse, telefone (satélites), televisão e agora a grande sensação do momento a Internet. Ela consegue abraçar todas as modalidades separadamente ou juntas no mesmo meio: textos, imagens, vídeos e áudios.

Na década de oitenta popularizou-se o “vídeoclip” que é a junção das mídias de áudio musicais ao vídeo. Os grandes propagadores deste meio foram Elvis Presley, Beatles e Michael Jackson.

Hoje pela Internet as pessoas se encontram, namoram, trabalham e até organizam-se em movimentos sociais e revolucionários. O fenômeno mais recente, organizado na Internet ocorreu nos países árabes e que foram fomentadas neste novo campo de batalha. É por essa mídia que milhões de anônimos se destacam com seus pensamentos publicados em blogs e redes sociais. Nunca houve na história da humanidade uma democratização do pensamento como a que temos experimentado. As pessoas se aproximam dentro de grupos por perfis de pensamentos ideológicos que melhor lhe familiarizam. Essas pessoas são chamadas “seguidores”.

Neste novo contexto de uma sociedade interconectada, atos e ações são acompanhados vinte quatro horas por dia em “micro blogs”. Atitudes tão triviais do dia a dia são postadas e logo viram notícias.

A grande característica das mídias sociais está no fato de se produzir uma informação a partir de uma coleta de dados em textos, fotos, músicas e vídeos. Editar, cortar, copiar, colar, adicionar e importar, todas essas ações criam um grande “Frankenstein” ideológico. São postados milhares de imagens e vídeos caseiros com o propósito de expor seus pensamentos e receber dos “seguidores” um reconhecimento pessoal que é retro alimentado. Há uma luta ideológica de exposição pessoal numa tentativa de convencimento por aquilo que se posta. É uma nova modalidade de luta ideológica.

Os relacionamentos reais também já se influenciaram com as regras das redes sociais, isto é, se os comentários não forem conforme o que penso, logo desfaço a amizade, é rápido e indolor, basta clicar.


Bonitinhas e infames são as milhares de mensagens divulgadas com fotos em fundos musicais e frases de efeitos que não permitem uma reflexão com profundidade, pois a imagem e a música associadas ofuscam no inconsciente a mensagem que se gostaria de proclamar claramente.

A fraqueza e mediocridade de uma reflexão de pensamento tem predominantemente nivelado por baixo todos os que estão dentro das redes sociais. São raros os casos de vida inteligente no meio de uma enxurrada de assuntos sem sentido.
As pessoas já descobriram que podem produzir mensagens manipuladoras com o uso de imagens de natureza, crianças, animais, idosos, casais, anjos, Jesus etc.

É uma grande colcha de recortes de imagens, fotos e frases. Com isto se propagam mensagens pessoais que influenciam como verdades para outros.

A arte da charge sempre foi inteligente, crítica e relevante, pois uma imagem era construída sob uma mensagem. Hoje as imagens influenciam as ideias. O processo está invertido.

A teologia das redes sociais é aquela que se preocupa com o que se pode ver e não compreender. É um ambiente carregado de achismos e palpites, recortes mal elaborados, tendenciosos sem fundamentação bibliográfica que possui a característica de expor a compreensão popular de conhecimentos genérico sobre tudo e sobre Deus. Um dos problemas da teologia das redes sociais é que ela não tem cara nem identidade tudo é dito através de imagens de forma reducionista, não há uma fonte segura e verdadeira.

Desperdiçar tempo navegando em redes sociais com assuntos fúteis é jogar seu tempo no lixo. Utilize-o para um aprendizado saudável e sólido sobre a fé cristã. Leia bons livros de literatura, ouça boas músicas. Cuidado com as redes sociais, pois não é lugar de se aprender sobre as verdades eternas. Não é pecado usar as redes sociais, mas deve se usada com um bom proveito, postando sempre bons comentários, versículos, poemas, canções etc.

Publicado no Boletim Informativo da IP Parnamirim-RN em 17/06/2012
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segunda-feira, 11 de junho de 2012

A Crise da existência e a relevância do Evangelho


A Crise da existência e a relevância do Evangelho
Sandro M. Viana (Natal-RN)

“Quando o coração se me amargou e as entranhas se me comoveram, eu estava embrutecido e ignorante; era como um irracional à tua presença. Todavia, estou sempre contigo, tu me seguras pela minha mão direita. Tu me guias com o teu conselho e depois me recebes na glória”. Salmo 73.21-24

Vivemos em um mundo em constantes mudanças.  Países, sistemas financeiros, governos, a cultura, as religiões, a ciência, tudo está num constante dolorido parto de transformações.

A mídia nos arranca de dentro de nossos sossegados e confortáveis mundos arremessando-nos para o meio do fogo e fumaça dos conflitos sociais e globais expondo as realidades da vida.

As agonias, as incertezas, os anseios, os conflitos expõem a cada nova geração a busca pelo sentido da existência, mesmo em meio ao furacão de dias pós-modernos, onde os sentidos e valores foram triturados e relativizados.
As ciências sociais, a medicina e todos os tipos de terapias estão à disposição da humanidade com tentativas de curas para doenças e distúrbios emocionais incompreensíveis.

As “agendas” com valores e compromissos que são impostas sobre a vida da sociedade contemporânea levam as pessoas a se inserirem em uma maratona onde há uma multidão correndo e você precisa “urgentemente” entrar nessa corrida. É dessa maneira que somos inseridos  na correria da “vida” e passamos agora a não ter mais tempo. Há sempre algo a se fazer, sempre estará faltando alguma coisa. Por trás deste fenômeno há a fuga do vazio de significados de sentidos. A agenda deve ser preenchida o mais rápido possível, pois assim passará mais rápido e não sobrará “tempo” para de fato refletir, pensar a própria vida.

A falta de tempo faz com que as pessoas se alimentem mal, escolham na pressa, os sofrimentos, os anseios, e as angustias da agenda da correria do dia a dia acaba impondo um ritmo frenético de alienação e insensibilidade. Os antidepressivos, calmantes confirmam a morte ainda em vida da fuga de realidades.

domingo, 13 de maio de 2012

Mãe


Janela que acolhe
Terra que recebe
Berço que gera

Porta de alcance
Chão do saber
Mesa de ofertas

Saguão de ingresso
Caminho evidente
Espelho refletido

Cozinha que comunga
Estrada que liga
Fogão que alimenta

Quarto que guarda
Rota que converge
Cama que consola

Sala que regozija
Senda que alegra
Tanque que sustenta

Somos o que nossas mães geraram em nós. 
Sandro M. Viana - 12/05/2012

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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A mídia e a inversão de papéis


Amigos da escola e inimigos da família? 

No dia 9 de setembro estreou a nova campanha publicitária do projeto Amigos da Escola patrocinada pela “mega” rede de televisão, Rede Globo. São três filmes sobre o tema "Educação e Valores”. Em um dos vídeos há a história de dois jovens descarregando computadores de um caminhão em uma sala. Um dos rapazes sai da sala e afirma ao companheiro que há tantos computadores que ninguém desconfiaria da ausência de algum sequer, imediatamente o rapaz que ouve a sugestão do amigo volta ao passado em sua imaginação e se lembra de quando era criança e que tinha aprendido na escola com sua professora a valiosa lição de honestidade, devolvendo os lápis junto com seus amiguinhos após uma atividade.  O que há de errado nisso? Será que me tornei insensível ante ao lindo quadro pintado com tamanha intensidade emocional? Calma! Ao analisar o vídeo surgiram as seguintes perguntas: O que existe por trás desta propaganda? Qual é a ideologia defendida?  De quem pertence à responsabilidade do ensino e transmissão de valores? Da família ou da escola? Será que a proposta do projeto “amigos da escola” é decretar de vez a falência das famílias e transferir para a escola a árdua tarefa de ensinar valores para as crianças assim como português, matemática, ciências, etc.?

Valores são ensinamentos eternos que carregamos dentro de nossos corações que pautam nossas condutas e nos dá uma cosmovisão depurada e cidadã. Princípios são “passados” com o testemunho vívido de pais ou responsáveis amorosos. Só o discurso sem a prática não sedimenta valores, mas anarquiza, banaliza e coloca em descrédito princípios fundamentais para as novas gerações. Assim como um feto repousa tranquilamente e tem sua formação no ventre de sua mãe a família é o ambiente propício e adequado para esta rica aquisição de valores. Princípios são ensinados com o testemunho de valores vividos na convivência dos pequeninos com adultos dentro de uma relação familiar saudável com amor e compromisso.
Valores determinam caráter, é herança que se passa de pais para filhos e que moldam a ética!

Propor uma ideologia de terceirização de valores imputando para a escola esta responsabilidade é mais uma evidência do desespero de uma sociedade descompromissada com o futuro e que decreta a falência total das famílias. Recai mais uma vez a responsabilidade  sobre os educadores do grande peso de não só ensinar os filhos dos outros conteúdos como também de firmar valores no mais profundo do caráter das crianças em escolas sem as mínimas condições básicas de cumprir sua finalidade.

Filhos honestos, que caminhem na verdade, que respeitem o próximo e celebrem o futuro e a esperança são valores ensinados no seio familiar. Valores são marcas que deixamos impressas na alma de nossos filhos é o DNA da ética para as futuras gerações. 

Sandro M. Viana (Natal-RN)


Texto para uso WEB  Licença Creative Commons
A obra A mídia e a inversão de papéis foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada. Com base na obra disponível em www.sandroviana.com.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Choque de realidades

Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, 
dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23

A ideologia predominantemente que cega o coração das pessoas nas igrejas contemporâneas é a ostentação do luxo como sinal de bênção divina e a satisfação de prazeres pessoais em busca da felicidade como propósito da existência. A maligna cartilha da Teologia da Prosperidade ensina as pessoas que Deus tem a obrigação de atender a todos os desejos de suas criaturas, não importa se estes anseios sejam santos ou profanos contanto que no contrato estabelecido o primeiro passa dado pelo fiel através da “fé interesseira e mercantil” as quantias estejam já depositadas nos envelopes.

Hoje há igrejas de grifes e marcas, igrejas com nomes e produtos patenteados, líderes e gurus que tem o controle e o uso dos serviços sobrenaturais com hora e local marcados para a manifestação de shows, curas e milagres.

Os luxuosos templos de consumo da religião são frequentados por todos os tipos de pessoas que alimentam em seus corações todos os tipos de ilusões, são ávidos consumidores que na busca por grandes e imperdíveis novidades do mercado de bugigangas e amuletos da fé são saqueados por vãos e falsos discursos triunfalistas.



O consumismo religioso de objetos e quinquilharias da fé são passageiros, fúteis e vazios de respostas. A numerolatria (neologismo – uma nova palavra) retrata precisamente no que se tornou a igreja desses dias. É a idolatria aos grandes número$, grande$ cifra$ e gorda$ conta$.

Para isso a igreja se adaptou a maneira comercial no tratamento com o seu público alvo. Amigos e irmãos tornaram-se clientes. A simplicidade e a pessoalidade sumiram e na direção dessas instituições assumiram homens de coração e formação em negócios.

O marketing aplicado para a religião criou produtos que até concorrentes seculares estão de olho (Som Livre – “Você adora a Som Livre toca”.). Os novos gurus travestidos em seus ternos de grife de fala mansa, educados, cortam o país em suas frotas de jatos luxuosos.

A evangelização pessoal foi trocada pelos apelos comercias emocionais que alienam e manipulam as massas.


Jesus em sua simplicidade e paz nos chama para segui-lo! É uma caminhada eterna de serviço, amor e sinceridade, não é uma compreensão platônica, porém prática. Para segui-lo, o primeiro passo a ser dado é negar a nós mesmos. Negar nossas ambições, desejos e nossa natureza. Eu deixo de reinar em meu coração e Cristo torna-se Senhor de minha vida.

“Dia a dia tome a sua cruz”, somos chamados para sermos trabalhados diante de nossas debilidades e fraquezas na dependência de Deus, não fomos chamados para descartarmos nossas cruzes ou trocá-la por outra, mas temos diante da cruz que carregarmos a missão de sermos moldados por ela.

O convite está feito, basta crer e aceitá-lo!


Rev. Sandro Viana

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Quem vê cara não vê coração

“o SENHOR não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração.” 1Sm 16:7 ARA
No Século passado (XX) a humanidade aprendeu a voar com máquinas mais pesadas que o ar, explorou o Espaço Sideral, desenvolveu técnicas cirúrgicas complexas, criou vacinas e remédios, exterminou doenças, globalizou-se através dos satélites, porém com todo o aparato tecnológico o comportamento humano é um mistério. O filósofo francês Blaise Pascal declarou: "O coração tem razões que a própria razão desconhece"

Diariamente testemunhamos a violência urbana e doméstica expostas nos meios de comunicações . A prática de transgressões conscientes e a frieza de corações insensíveis é prova de como anda a cabeça das pessoas. O comportamento humano nunca foi tão analisado como nos nossos dias. As instituições de ensino esmeram-se arduamente na tarefa do ensino da cidadania, porém os resultados são tímidos. As injustiças sociais frutos da corrupção da natureza humana afronta diretamente a razão e a lógica. Diante deste retrato social como responder biblicamente sobre o comportamento humano?

Os estudiosos do comportamento, filósofos e psicólogos tentam explicar este comportamento transgressor. O filósofo John Locke acreditava que o homem nascia como uma lousa em branco (“tabula rasa”) de inocência. Para Rousseau “o Homem nasce bom e a sociedade o corrompe”. Com o passar do tempo essas teorias ficaram obsoletas. A Bíblia com muita propriedade trata de forma direta e clara sobre este assunto sob uma perspectiva ético espiritual relacionados com o coração. Sua natureza e as origens de todas as motivações humanas. 

Você entende o que canta?

"Música para compor o ambiente Música para escovar o dente Música para fazer chover Música para ninar nenê Música para tocar...