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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A língua é fogo


Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo. Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo. 

Ora, se pomos freio na boca dos cavalos, para nos obedecerem, também lhes dirigimos o corpo inteiro. Observai, igualmente, os navios que, sendo tão grandes e batidos de rijos ventos, por um pequeníssimo leme são dirigidos para onde queira o impulso do timoneiro. Assim, também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas. Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva! Ora, a língua é fogo; é mundo de iniquidade  a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno. Pois toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano; a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero. Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma só boca procede bênção e maldição.

Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim.  Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso? Acaso, meus irmãos, pode a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Tampouco fonte de água salgada pode dar água doce

Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras. Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade. Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca. Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins. 

A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento. Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz. 

Carta do apóstolo Tiago irmão de Jesus, primeiro bispo de Jerusalém, capítulo 3


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Seja uma bênção onde estiveres

“Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção!” 
Gênesis 12:1-2.
Por Rev. Sandro Mariano Viana

No mês de aniversário dos 153 anos da Igreja Presbiteriana do Brasil posto este resumos da vida de Ashbel Green Simonton.

Em uma manhã de sexta-feira, 12 de agosto de 1859 um jovem pastor de 26 anos aporta em solo brasileiro deixando sua nação, seus amados, tendo em seu coração a missão de levar as Boas Novas do amor de Deus à jovem nação brasileira. 

A travessia do Atlântico levou quase dois meses no navio Banshee, os desafios no Brasil do século XIX eram descomunais como as barreiras do idioma da cultura da religião oficial (catolicismo romano) e o modo de trabalho escravo. A ausência de infraestrutura das províncias (cidades) favorecia a proliferação de epidemias de cólera (1856) e febre amarela (1850, 52, 53 e 54). Esse era o contexto do primeiro missionário presbiteriano no Brasil, o reverendo Ashbel Green Simonton, um homem vocacionado com uma árdua tarefa de instituir uma igreja protestante militante, isto é evangelizadora, abençoadora e relevante para sua geração. No dia 22 de abril de 1860, Simonton finalmente conseguiu dirigir seu primeiro culto em português, antes deste fato em virtude da falta de fluência na língua portuguesa suas prédicas eram realizadas em navios ancorados na Baía de Guanabara e em residências de estrangeiros. 

Em 12 de janeiro de 1862 organizou a primeira igreja presbiteriana do Rio de Janeiro e do Brasil. No final de março do mesmo ano precisou ir aos Estados Unidos, pois sua mãe estava seriamente adoentada. Logo que chegou, soube que ela falecera. Em sua estadia nos Estados Unidos, eclodiu a Guerra Civil (1861-1865). Uma das consequências desse conflito foi a divisão das denominações norte-americanas, inclusive a presbiteriana. No período em que ficou na casa de seus pais conheceu a jovem Helen Murdoch, com a qual veio a se casar em 19 de março de 1863. O casal Simonton chegou ao Rio de Janeiro no dia 16 de julho do mesmo ano. Em 28 de julho de 1864, apenas nove dias do nascimento de sua filhinha, Helen M. Simonton falece aos 30 anos devido a complicações resultante do parto. A menina recebeu o nome da mãe e foi entregue aos cuidados da irmã de Simonton, Elizabeth S. Blackford e seu esposo reverendo Alexander Latimer Blackford companheiro de ministério pastoral. Em 1865 surgem duas novas igrejas presbiterianas no Brasil, ambas na província de São Paulo. Simonton e seus colegas organizam o primeiro presbitério, o do Rio de Janeiro. Ordena o primeiro pastor brasileiro, o ex-padre José Manoel da Conceição. Nesse ano, quinze novos membros fizeram profissão de fé na igreja do Rio, fundou um seminário teológico e em 27 de novembro de 1867, Simonton chegou pela última vez a São Paulo para ver a filha Helen, estava enfermo do fígado com febres altíssimas. Na madrugada de 9 de dezembro de 1867, Simonton veio a óbito, poucas semanas antes de completar 35 anos. Em um dos momentos difíceis de sua vida em seu diário Simonton declara que: “Aqui é o meu campo de trabalho. Se Deus quiser, aqui hei de trabalhar e morrer.” 

Os obstáculos que Simonton tinha não o impedia de servir ao Senhor. Hoje 153 anos passados comemoramos o mover de Deus na vida de Simonton e de muitas gerações de homens e mulheres que serviram ao nosso Senhor Jesus, doando suas vidas na proclamação genuína das Boas Novas. Homens e mulheres que tornaram suas vidas relevantes, pois foram obedientes ao chamado divino, abençoando por onde passaram. O contexto de nossos dias é tão difícil e desafiador quanto nos dias de Simonton. O ser humano continua o mesmo em sua natureza. Os oceanos de dificuldades, doenças da alma e do corpo (carências) são intransponíveis aos olhos e condições humanas, mas assim como o Senhor moveu o coração de Abraão, o pai da fé e Simonton, Deus tem nos movido em oração e na proclamação das Boas Novas.


Para sermos bênção (e relevantes) na vida de pessoas, precisamos de fato entender de forma clara o nosso chamado e nos submetermos ao senhorio de Nosso Senhor Jesus na proclamação de sua Graça e amor em favor dos seus filhos amados. Há muitos aventureiros que acreditam estar fazendo a vontade de Deus, porém quando seus interesses são frustrados desanimam e consequentemente ficam pelo caminho. Simonton não era um homem que se garantia em seus méritos pessoais, esforços e intelecto, porém sua força vinha do Senhor, aos 22 anos teve a certeza de seu chamado “O serviço do Senhor será meu supremo alvo de vida.” Homem de oração e estudo contínuo das Escrituras Sagradas. Deus move o coração dos homens ao longo da história da humanidade para que o Seu nome seja engrandecido e sua graça seja derramada sobre os pecadores.      



Texto publicado em 16 de agosto de 2009 noBoletim da Terceira Igreja Presbiteriana de Taguatinga-DF
Texto publicado em 05 de agosto de 2012 no Boletim da Igreja Presbiteriana de Parnamirim-RN
Fonte de pesquisa: Os Pioneiros Presbiterianos do Brasil (1859-1900) – Aderi S. Matos – pág. 25
Série Colóquios Vol. 3 – Simonton 140 anos de Brasil – Profa. Dra. Maria Lucia S. Hilsdorf – pág 31


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segunda-feira, 12 de março de 2012

Igreja é família


“Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a praticam”. Lucas 8:21


Das melhores lembranças de minha infância lembro-me quando meus pais aos sábados preparavam-se para nos levar a casa do meu avô paterno, Martinho Viana, no subúrbio do Rio. O “Velho Viana” como todos o chamavam se assentava na cabeceira da mesa e catando feijão preto separava as pedras e palhas aos assuntos do cotidiano dos filhos que ao seu redor ficavam. 
A panela de pressão no fogão anunciava que era dia de reunião familiar. Era uma festa, todos falavam ao mesmo tempo, sorriam e se alegravam uns com os outros numa saudável companhia. Os pratos postos na mesa eram servidos de uma deliciosa comida temperada de amor e degustada com boa prosa intima.
As crianças corriam ao redor da mesa atravessando a cozinha adentrando a sala e os quartos como se fossem flechas. Era uma gritaria só! “Tatá pare de correr se não vou lhe dar uns cascudos” Tio Quinca aos berros e vermelho de raiva esbravejava com o filho mais velho de meu tio Milton o primo primogênito da família. Eu era o segundo da linhagem dos bagunceiros na vida da família de meu avô. Kátia era a prima dorminhoca e preguiçosa, filha do tio Luiz e Zilda. Sulamita por ser um pouco maior era a mandona do pedaço e as brigas sempre começavam com ela, filha da tia Jane. Alexandre era o neto mais novo da família e o comilão. Quando acabava a margarina, derramava azeite no pão. Coisas da infância.
Com todas as diferenças que existam em cada membro da família a convivência familiar tem o poder de influenciar positivamente com seus princípios e organização. A dinâmica de uma igreja é a de uma grande e eterna família que unirá todos os filhos de todas as gerações ao redor do Pai. Deus Pai nos chama como filhos para momentos de convivência e comunhão nesses dias. 
O grande desafio da igreja está na compreensão do viver em comunhão com pessoas tão diferentes e imperfeitas. É na igreja que as pessoas se unem e reúne por uma única causa, o amor. A compreensão de igreja para a maioria das pessoas que não a conhece é construída sob um mito ou ideal de membros perfeitos que não pecam e nem erram mais. Esta visão é equivocada, pois a Igreja é lugar de pecadores. Lugar de pessoas que estão num processo de melhoria contínua (santificação) e que terminará com o findar de suas existência através da morte ou pela segunda vinda de Cristo. 

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Com base no trabalho disponível em www.sandroviana.com.

terça-feira, 12 de julho de 2011

O circo chegou e com ele o espetáculo!

A sociedade do espetáculo e a influencia nas igrejas
...vaidade de vaidades! Tudo é vaidade Eclesiastes 1:2

Recentemente chegou um grande circo de renome internacional na cidade. Os outdoors e as propagandas na televisão insistentemente anunciam grandes espetáculos. O picadeiro transforma-se em um grande caldeirão de emoções. Habilidosos malabaristas que se torcem e retorcem em treinados e flexíveis corpos, palhaços engraçados e desastrados que arrancam rizadas, os carismáticos cães adestrados que pulam e se espremem em pequenas caixas em troca de recompensas (petiscos), trapezistas que prendem o fôlego da plateia em suas arriscadas manobras nas alturas, mulheres alvo de atiradores de facas, comedores de chamas e o perigoso globo da morte tudo em nome do espetáculo.

Assentar-se confortavelmente e seguro deliciando-se com pipocas, guloseimas e refrigerantes e ser surpreendido a cada instante com uma nova apresentação é a ordem do espetáculo.

Guy Ernest Debord escritor e pensador francês em seu livro A Sociedade do Espetáculo afirma: “Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai na fumaça da representação”.

Tudo em nossos dias tem que se tornar um grande espetáculo, para isso, é necessário que todos os sentidos e sentimentos sejam explorados até o ultimo instante, é um mundo de prazeres e ilusões.

Os espetáculos estão instalados em nossa geração de forma intensa e pragmática, isto é, há uma necessidade urgente de espetáculos de tal maneira que não se consegue viver socialmente sem eles.

Atividades que ha alguns anos eram realizadas em família como pique niques de forma simples hoje exige uma nova dinâmica de entretenimento tentado evitar o “tédio”.

As brincadeiras precisam de uma dose de espetáculo de admiradores e fãs, os jogos de computadores recheados de efeitos especiais e músicas reforçam a nova doutrina do espetáculo.

O estranho, o bizarro, o inusitado, o confuso, as esquisitices, as polêmicas, a exploração da miséria e a dor do semelhante servem de combustível para os espetáculos que nutrem fogueiras fúteis da vaidade humana.
Entre o explícito e o oculto o trabalho artístico no circo visa claramente o reconhecimento do artista que busca o aplauso de sua plateia isso é honesto, sincero e nobre. Difícil é compreender cristãos que se agradam do espetáculo e trazem o circo para dentro da igreja afirmando que estão fazendo para Jesus em busca de gloria própria.
O mundo e seus valores servem somente para ele e os que estão no mundo não se interessam em igreja. O grande problema está naqueles que afirmam que são filhos de Deus e cobiçam o mundo. O espetáculo chegou às igrejas pelas mãos de pessoas que tinham a responsabilidade de zelar, cuidar para que o povo não ficasse sob opressão de valores mundanos. Hoje os cultos estão carregados de todos os tipos de espetáculos, coreografias, teatros, danças litúrgicas, pantomimas, shows religiosos e pirotécnicos com overdoses maciças de sentimentalismos e vaidades. O culto que é prestado aos homens é mais honesto praticado dentro de um circo, pois as motivações não estão sendo escondidas com desculpas esfarrapadas é a explicita busca da glória própria através do espetáculo .

Afirmar estar na igreja com o propósito de adorar a Deus com as motivações do espetáculo no coração é prestar um falso culto ao Senhor.
Rev. Sandro M. Viana

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Você entende o que canta?

"Música para compor o ambiente Música para escovar o dente Música para fazer chover Música para ninar nenê Música para tocar...