quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A mídia e a inversão de papéis


Amigos da escola e inimigos da família? 

No dia 9 de setembro estreou a nova campanha publicitária do projeto Amigos da Escola patrocinada pela “mega” rede de televisão, Rede Globo. São três filmes sobre o tema "Educação e Valores”. Em um dos vídeos há a história de dois jovens descarregando computadores de um caminhão em uma sala. Um dos rapazes sai da sala e afirma ao companheiro que há tantos computadores que ninguém desconfiaria da ausência de algum sequer, imediatamente o rapaz que ouve a sugestão do amigo volta ao passado em sua imaginação e se lembra de quando era criança e que tinha aprendido na escola com sua professora a valiosa lição de honestidade, devolvendo os lápis junto com seus amiguinhos após uma atividade.  O que há de errado nisso? Será que me tornei insensível ante ao lindo quadro pintado com tamanha intensidade emocional? Calma! Ao analisar o vídeo surgiram as seguintes perguntas: O que existe por trás desta propaganda? Qual é a ideologia defendida?  De quem pertence à responsabilidade do ensino e transmissão de valores? Da família ou da escola? Será que a proposta do projeto “amigos da escola” é decretar de vez a falência das famílias e transferir para a escola a árdua tarefa de ensinar valores para as crianças assim como português, matemática, ciências, etc.?

Valores são ensinamentos eternos que carregamos dentro de nossos corações que pautam nossas condutas e nos dá uma cosmovisão depurada e cidadã. Princípios são “passados” com o testemunho vívido de pais ou responsáveis amorosos. Só o discurso sem a prática não sedimenta valores, mas anarquiza, banaliza e coloca em descrédito princípios fundamentais para as novas gerações. Assim como um feto repousa tranquilamente e tem sua formação no ventre de sua mãe a família é o ambiente propício e adequado para esta rica aquisição de valores. Princípios são ensinados com o testemunho de valores vividos na convivência dos pequeninos com adultos dentro de uma relação familiar saudável com amor e compromisso.
Valores determinam caráter, é herança que se passa de pais para filhos e que moldam a ética!

Propor uma ideologia de terceirização de valores imputando para a escola esta responsabilidade é mais uma evidência do desespero de uma sociedade descompromissada com o futuro e que decreta a falência total das famílias. Recai mais uma vez a responsabilidade  sobre os educadores do grande peso de não só ensinar os filhos dos outros conteúdos como também de firmar valores no mais profundo do caráter das crianças em escolas sem as mínimas condições básicas de cumprir sua finalidade.

Filhos honestos, que caminhem na verdade, que respeitem o próximo e celebrem o futuro e a esperança são valores ensinados no seio familiar. Valores são marcas que deixamos impressas na alma de nossos filhos é o DNA da ética para as futuras gerações. 

Sandro M. Viana (Natal-RN)


Texto para uso WEB  Licença Creative Commons
A obra A mídia e a inversão de papéis foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada. Com base na obra disponível em www.sandroviana.com.

terça-feira, 12 de julho de 2011

O circo chegou e com ele o espetáculo!

A sociedade do espetáculo e a influencia nas igrejas
...vaidade de vaidades! Tudo é vaidade Eclesiastes 1:2

Recentemente chegou um grande circo de renome internacional na cidade. Os outdoors e as propagandas na televisão insistentemente anunciam grandes espetáculos. O picadeiro transforma-se em um grande caldeirão de emoções. Habilidosos malabaristas que se torcem e retorcem em treinados e flexíveis corpos, palhaços engraçados e desastrados que arrancam rizadas, os carismáticos cães adestrados que pulam e se espremem em pequenas caixas em troca de recompensas (petiscos), trapezistas que prendem o fôlego da plateia em suas arriscadas manobras nas alturas, mulheres alvo de atiradores de facas, comedores de chamas e o perigoso globo da morte tudo em nome do espetáculo.

Assentar-se confortavelmente e seguro deliciando-se com pipocas, guloseimas e refrigerantes e ser surpreendido a cada instante com uma nova apresentação é a ordem do espetáculo.

Guy Ernest Debord escritor e pensador francês em seu livro A Sociedade do Espetáculo afirma: “Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai na fumaça da representação”.

Tudo em nossos dias tem que se tornar um grande espetáculo, para isso, é necessário que todos os sentidos e sentimentos sejam explorados até o ultimo instante, é um mundo de prazeres e ilusões.

Os espetáculos estão instalados em nossa geração de forma intensa e pragmática, isto é, há uma necessidade urgente de espetáculos de tal maneira que não se consegue viver socialmente sem eles.

Atividades que ha alguns anos eram realizadas em família como pique niques de forma simples hoje exige uma nova dinâmica de entretenimento tentado evitar o “tédio”.

As brincadeiras precisam de uma dose de espetáculo de admiradores e fãs, os jogos de computadores recheados de efeitos especiais e músicas reforçam a nova doutrina do espetáculo.

O estranho, o bizarro, o inusitado, o confuso, as esquisitices, as polêmicas, a exploração da miséria e a dor do semelhante servem de combustível para os espetáculos que nutrem fogueiras fúteis da vaidade humana.
Entre o explícito e o oculto o trabalho artístico no circo visa claramente o reconhecimento do artista que busca o aplauso de sua plateia isso é honesto, sincero e nobre. Difícil é compreender cristãos que se agradam do espetáculo e trazem o circo para dentro da igreja afirmando que estão fazendo para Jesus em busca de gloria própria.
O mundo e seus valores servem somente para ele e os que estão no mundo não se interessam em igreja. O grande problema está naqueles que afirmam que são filhos de Deus e cobiçam o mundo. O espetáculo chegou às igrejas pelas mãos de pessoas que tinham a responsabilidade de zelar, cuidar para que o povo não ficasse sob opressão de valores mundanos. Hoje os cultos estão carregados de todos os tipos de espetáculos, coreografias, teatros, danças litúrgicas, pantomimas, shows religiosos e pirotécnicos com overdoses maciças de sentimentalismos e vaidades. O culto que é prestado aos homens é mais honesto praticado dentro de um circo, pois as motivações não estão sendo escondidas com desculpas esfarrapadas é a explicita busca da glória própria através do espetáculo .

Afirmar estar na igreja com o propósito de adorar a Deus com as motivações do espetáculo no coração é prestar um falso culto ao Senhor.
Rev. Sandro M. Viana

Licença Creative Commons
A obra A sociedade do espetáculo e a influencia nas igrejas foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
Com base na obra disponível em www.sandroviana.com.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Choque de realidades

Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, 
dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23

A ideologia predominantemente que cega o coração das pessoas nas igrejas contemporâneas é a ostentação do luxo como sinal de bênção divina e a satisfação de prazeres pessoais em busca da felicidade como propósito da existência. A maligna cartilha da Teologia da Prosperidade ensina as pessoas que Deus tem a obrigação de atender a todos os desejos de suas criaturas, não importa se estes anseios sejam santos ou profanos contanto que no contrato estabelecido o primeiro passa dado pelo fiel através da “fé interesseira e mercantil” as quantias estejam já depositadas nos envelopes.

Hoje há igrejas de grifes e marcas, igrejas com nomes e produtos patenteados, líderes e gurus que tem o controle e o uso dos serviços sobrenaturais com hora e local marcados para a manifestação de shows, curas e milagres.

Os luxuosos templos de consumo da religião são frequentados por todos os tipos de pessoas que alimentam em seus corações todos os tipos de ilusões, são ávidos consumidores que na busca por grandes e imperdíveis novidades do mercado de bugigangas e amuletos da fé são saqueados por vãos e falsos discursos triunfalistas.



O consumismo religioso de objetos e quinquilharias da fé são passageiros, fúteis e vazios de respostas. A numerolatria (neologismo – uma nova palavra) retrata precisamente no que se tornou a igreja desses dias. É a idolatria aos grandes número$, grande$ cifra$ e gorda$ conta$.

Para isso a igreja se adaptou a maneira comercial no tratamento com o seu público alvo. Amigos e irmãos tornaram-se clientes. A simplicidade e a pessoalidade sumiram e na direção dessas instituições assumiram homens de coração e formação em negócios.

O marketing aplicado para a religião criou produtos que até concorrentes seculares estão de olho (Som Livre – “Você adora a Som Livre toca”.). Os novos gurus travestidos em seus ternos de grife de fala mansa, educados, cortam o país em suas frotas de jatos luxuosos.

A evangelização pessoal foi trocada pelos apelos comercias emocionais que alienam e manipulam as massas.


Jesus em sua simplicidade e paz nos chama para segui-lo! É uma caminhada eterna de serviço, amor e sinceridade, não é uma compreensão platônica, porém prática. Para segui-lo, o primeiro passo a ser dado é negar a nós mesmos. Negar nossas ambições, desejos e nossa natureza. Eu deixo de reinar em meu coração e Cristo torna-se Senhor de minha vida.

“Dia a dia tome a sua cruz”, somos chamados para sermos trabalhados diante de nossas debilidades e fraquezas na dependência de Deus, não fomos chamados para descartarmos nossas cruzes ou trocá-la por outra, mas temos diante da cruz que carregarmos a missão de sermos moldados por ela.

O convite está feito, basta crer e aceitá-lo!


Rev. Sandro Viana

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Só estava brincando professora…


Texto criado em seu contexto de época para o uso na disciplina de Ensino Religioso no Colégio Presbiteriano Simonton (Taguatinga-DF/2008) e Instituto Presbiteriano Educação de Brasília - IPEB (Guará II/2007). Tema: Violência na escola.
Para: 6º ao 9º anos. Sandro M. Viana.

Era sexta-feira, mal tinha dormido na noite anterior, acordei cedo, pulei da cama e fui direto para o meu guarda-roupa. Vesti minha melhor camisa e bermuda, calcei o meu novo tênis e coloquei o meu boné. Rapidamente tomei o café, beijei minha mãe, peguei a mochila com os livros e saí com meu skate. O dia estava iluminado, céu azul sem nuvens. O vento frio da manhã tocava meu rosto. Precisava chegar o mais rápido à escola. Em frente ao grande portão, o ônibus que iria nos levar ao zoológico já estava estacionado.
Os alunos iam chegando e aguardavam no pátio da escola. Estávamos muito ansiosos. Toda minha galera estaria lá. Logo na entrada encontrei o Fred e o Rafa, eles estavam muito animados. Percebi a agitação dos alunos aguardando o início da programação.
Fred cochichou no ouvido de Rafa:
- Vamos aprontar com o cabeção?
Rafa prontamente acenou com a cabeça concordando.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Quem vê cara não vê coração

“o SENHOR não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração.” 1Sm 16:7 ARA
No Século passado (XX) a humanidade aprendeu a voar com máquinas mais pesadas que o ar, explorou o Espaço Sideral, desenvolveu técnicas cirúrgicas complexas, criou vacinas e remédios, exterminou doenças, globalizou-se através dos satélites, porém com todo o aparato tecnológico o comportamento humano é um mistério. O filósofo francês Blaise Pascal declarou: "O coração tem razões que a própria razão desconhece"

Diariamente testemunhamos a violência urbana e doméstica expostas nos meios de comunicações . A prática de transgressões conscientes e a frieza de corações insensíveis é prova de como anda a cabeça das pessoas. O comportamento humano nunca foi tão analisado como nos nossos dias. As instituições de ensino esmeram-se arduamente na tarefa do ensino da cidadania, porém os resultados são tímidos. As injustiças sociais frutos da corrupção da natureza humana afronta diretamente a razão e a lógica. Diante deste retrato social como responder biblicamente sobre o comportamento humano?

Os estudiosos do comportamento, filósofos e psicólogos tentam explicar este comportamento transgressor. O filósofo John Locke acreditava que o homem nascia como uma lousa em branco (“tabula rasa”) de inocência. Para Rousseau “o Homem nasce bom e a sociedade o corrompe”. Com o passar do tempo essas teorias ficaram obsoletas. A Bíblia com muita propriedade trata de forma direta e clara sobre este assunto sob uma perspectiva ético espiritual relacionados com o coração. Sua natureza e as origens de todas as motivações humanas. 

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Primavera, o jardim de Deus em nós!

 Eis que faço novas todas as coisas. (Ap. 21:5 ARA)
Era quarta-feira, 22 de setembro de 2010, a noite descia suave escurecendo a abóboda celeste e as estrelas lentamente pontilhavam uma a uma no horizonte. O vento forte e úmido que soprou o dia inteiro assobiava entre as árvores e as quinas das casas a canção da chegada da estação das floradas. A Lua como a anfitriã esplendidamente vestida de branco intenso adornava o céu a proclamar a chegada da primavera!
É nesta época que tudo se torna intenso, colorido, perfumado e iluminado. Os cientistas explicam que todas estas transformações estão ligadas ao posicionamento do planeta Terra ante ao Sol. As águas do Oceano Atlântico ficam mais aquecidas, as temperaturas são amenas, os dias são mais longos a vegetação floresce e muitos animais tem seus filhotes nesta época. Esta é a estação que toda a natureza se renova, desperta, acorda. Isto pelas condições climáticas serem propícias a um ambiente para o surgimento da vida.

Você entende o que canta?

"Música para compor o ambiente Música para escovar o dente Música para fazer chover Música para ninar nenê Música para tocar...