sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A língua é fogo


Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo. Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo. 

Ora, se pomos freio na boca dos cavalos, para nos obedecerem, também lhes dirigimos o corpo inteiro. Observai, igualmente, os navios que, sendo tão grandes e batidos de rijos ventos, por um pequeníssimo leme são dirigidos para onde queira o impulso do timoneiro. Assim, também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas. Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva! Ora, a língua é fogo; é mundo de iniquidade  a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno. Pois toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano; a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero. Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma só boca procede bênção e maldição.

Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim.  Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso? Acaso, meus irmãos, pode a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Tampouco fonte de água salgada pode dar água doce

Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras. Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade. Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca. Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins. 

A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento. Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz. 

Carta do apóstolo Tiago irmão de Jesus, primeiro bispo de Jerusalém, capítulo 3


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Seja uma bênção onde estiveres

“Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção!” 
Gênesis 12:1-2.
Por Rev. Sandro Mariano Viana

No mês de aniversário dos 153 anos da Igreja Presbiteriana do Brasil posto este resumos da vida de Ashbel Green Simonton.

Em uma manhã de sexta-feira, 12 de agosto de 1859 um jovem pastor de 26 anos aporta em solo brasileiro deixando sua nação, seus amados, tendo em seu coração a missão de levar as Boas Novas do amor de Deus à jovem nação brasileira. 

A travessia do Atlântico levou quase dois meses no navio Banshee, os desafios no Brasil do século XIX eram descomunais como as barreiras do idioma da cultura da religião oficial (catolicismo romano) e o modo de trabalho escravo. A ausência de infraestrutura das províncias (cidades) favorecia a proliferação de epidemias de cólera (1856) e febre amarela (1850, 52, 53 e 54). Esse era o contexto do primeiro missionário presbiteriano no Brasil, o reverendo Ashbel Green Simonton, um homem vocacionado com uma árdua tarefa de instituir uma igreja protestante militante, isto é evangelizadora, abençoadora e relevante para sua geração. No dia 22 de abril de 1860, Simonton finalmente conseguiu dirigir seu primeiro culto em português, antes deste fato em virtude da falta de fluência na língua portuguesa suas prédicas eram realizadas em navios ancorados na Baía de Guanabara e em residências de estrangeiros. 

Em 12 de janeiro de 1862 organizou a primeira igreja presbiteriana do Rio de Janeiro e do Brasil. No final de março do mesmo ano precisou ir aos Estados Unidos, pois sua mãe estava seriamente adoentada. Logo que chegou, soube que ela falecera. Em sua estadia nos Estados Unidos, eclodiu a Guerra Civil (1861-1865). Uma das consequências desse conflito foi a divisão das denominações norte-americanas, inclusive a presbiteriana. No período em que ficou na casa de seus pais conheceu a jovem Helen Murdoch, com a qual veio a se casar em 19 de março de 1863. O casal Simonton chegou ao Rio de Janeiro no dia 16 de julho do mesmo ano. Em 28 de julho de 1864, apenas nove dias do nascimento de sua filhinha, Helen M. Simonton falece aos 30 anos devido a complicações resultante do parto. A menina recebeu o nome da mãe e foi entregue aos cuidados da irmã de Simonton, Elizabeth S. Blackford e seu esposo reverendo Alexander Latimer Blackford companheiro de ministério pastoral. Em 1865 surgem duas novas igrejas presbiterianas no Brasil, ambas na província de São Paulo. Simonton e seus colegas organizam o primeiro presbitério, o do Rio de Janeiro. Ordena o primeiro pastor brasileiro, o ex-padre José Manoel da Conceição. Nesse ano, quinze novos membros fizeram profissão de fé na igreja do Rio, fundou um seminário teológico e em 27 de novembro de 1867, Simonton chegou pela última vez a São Paulo para ver a filha Helen, estava enfermo do fígado com febres altíssimas. Na madrugada de 9 de dezembro de 1867, Simonton veio a óbito, poucas semanas antes de completar 35 anos. Em um dos momentos difíceis de sua vida em seu diário Simonton declara que: “Aqui é o meu campo de trabalho. Se Deus quiser, aqui hei de trabalhar e morrer.” 

Os obstáculos que Simonton tinha não o impedia de servir ao Senhor. Hoje 153 anos passados comemoramos o mover de Deus na vida de Simonton e de muitas gerações de homens e mulheres que serviram ao nosso Senhor Jesus, doando suas vidas na proclamação genuína das Boas Novas. Homens e mulheres que tornaram suas vidas relevantes, pois foram obedientes ao chamado divino, abençoando por onde passaram. O contexto de nossos dias é tão difícil e desafiador quanto nos dias de Simonton. O ser humano continua o mesmo em sua natureza. Os oceanos de dificuldades, doenças da alma e do corpo (carências) são intransponíveis aos olhos e condições humanas, mas assim como o Senhor moveu o coração de Abraão, o pai da fé e Simonton, Deus tem nos movido em oração e na proclamação das Boas Novas.


Para sermos bênção (e relevantes) na vida de pessoas, precisamos de fato entender de forma clara o nosso chamado e nos submetermos ao senhorio de Nosso Senhor Jesus na proclamação de sua Graça e amor em favor dos seus filhos amados. Há muitos aventureiros que acreditam estar fazendo a vontade de Deus, porém quando seus interesses são frustrados desanimam e consequentemente ficam pelo caminho. Simonton não era um homem que se garantia em seus méritos pessoais, esforços e intelecto, porém sua força vinha do Senhor, aos 22 anos teve a certeza de seu chamado “O serviço do Senhor será meu supremo alvo de vida.” Homem de oração e estudo contínuo das Escrituras Sagradas. Deus move o coração dos homens ao longo da história da humanidade para que o Seu nome seja engrandecido e sua graça seja derramada sobre os pecadores.      



Texto publicado em 16 de agosto de 2009 noBoletim da Terceira Igreja Presbiteriana de Taguatinga-DF
Texto publicado em 05 de agosto de 2012 no Boletim da Igreja Presbiteriana de Parnamirim-RN
Fonte de pesquisa: Os Pioneiros Presbiterianos do Brasil (1859-1900) – Aderi S. Matos – pág. 25
Série Colóquios Vol. 3 – Simonton 140 anos de Brasil – Profa. Dra. Maria Lucia S. Hilsdorf – pág 31


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quarta-feira, 25 de julho de 2012

O Menestrel



Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança. Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.

Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.

E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la…

E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.

E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.

E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam…

Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa… por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.

Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.

Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem, pelo menos, dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.

Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.

Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens…

Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém…

Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.

Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar.

Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.

E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.

William Shakespeare
Significado de Menestrel
Músico-poeta ambulante da Idade Média. Os menestréis receberam vários nomes nos diferentes países da Europa. Na França eram chamados troubadours (trovadores) e jongleurs (malabaristas); na Alemanha, Minnesang; na Escandinávia, skalds (escaldos) e na Irlanda, bards (bardos). Os primeiros menestréis ingleses foram chamados scops.

sábado, 21 de julho de 2012

Cristianismo Passional

Um estranho amor aos deuses do coração
Rev. Sandro Mariano Viana

O cantor e compositor brasileiro Cazuza em sua canção: “O Nosso Amor A Gente Inventa” na década de 1980, entoou sua poesia numa balada romântica em que declarava sobre uma relação passageira, volátil e superficial:

“O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba a gente pensa
Que ele nunca existiu”

Há pessoas que acreditam que estão em uma relação real com Deus, porém este elo não existe. São sinceras em suas intenções e são assíduos devotos da religião. Possuem relações religiosas baseadas em pressupostos ou conhecimento que está estabelecido somente em um dos lados dos interessados é uma via de mão única constituída pela perspectiva do próprio fiel ou devoto.

O religioso passional fala, sente e percebe em nome de Deus, não dialoga e possui extensos monólogos. Suas atitudes autoritárias lhes confere o poder e sempre estão com razão.

Nessa relação passional religiosa tudo o que se fala a respeito do outro, Deus, é conhecimento de quem diz amar e que de fato nunca se interessou em conhecer o amado, Deus. Não existe um vínculo de reciprocidade, pois essas pessoas estão dispostas somente em agir em uma única direção, a de seus próprios interesses não possuem a capacidade de fato a ouvir a voz de Deus.

É um relacionamento de bipolaridade emocional, uma gangorra espiritual, uma montanha russa de êxtases, uma fé desequilibrada que não socorre, não amadurece, só apequena, atemoriza e esquizofreniza o ser. Este comportamento proposital e consciente acomoda desequilibrados espirituais em atitudes inconsequentes e antiéticas. Alegam que são reféns de suas próprias paixões e traz como marca principal em seu caráter a covardia. O orgulho lhes impede de crescer e amadurecer por isso são inconstantes e ao menor sinal de dificuldade ou discordância mudam de igreja ou denominação, são volúveis, levianos, viciados em suas próprias vaidades, estão sempre em fuga da verdade.

É muito comum encontrar pessoas falando, pregando sobre relacionamento com Deus, porém seu comportamento incoerente demonstra claramente que estão em afronta aquilo que dizem. Sua fé não conecta a vida real, é uma relação extravagante e de litígio ou de clara inexistência de um vinculo intimo espiritual com Deus.

Os religiosos passionais são por demais apaixonados por si mesmos (adoram os ídolos de seus corações) alegando amar a Deus, visam somente a sua vaidosa exposição e buscam proveito financeiro, sexual, favores e tudo aquilo que seu louco e doentio coração apaixonado puder cobiçar.

O que é mais preocupante é que a cultura religiosa cristã contemporânea reafirma estas condutas patológicas, retroalimentando-se através de músicas antropocêntricas entoadas em grandes e histéricos cultos públicos. Publicação de livros de autoajuda religiosa em mensagens que lançam as pessoas em seus vazios e abismos existenciais insensibilizando-os pelo recrudescimento de um individualismo materialista que aumenta mais suas angustias.

A libertação, que é uma garantia daquele que crê no Evangelho, leva o cristão a uma vida de equilíbrio, amor, paz, abnegação, simplicidade, humildade e serviço. Isto não significa que teremos uma vida sem dificuldades, ao contrário, os obstáculos só aumentam, pois agora descobrimos quem de fato é o nosso verdadeiro inimigo, nós mesmos! É através da conversão que pelo poder do Espírito Santo que realmente tomamos consciência de que precisamos ser tratados de nossa natureza egocêntrica que nos lança em abissais desejos. A obediência cristã é o caminho de plena demonstração de fé genuína quando insultamos as nossas paixões e desejos.

A fé passional ao contrário não exige esforço age pelos instintos mais primitivos, é incompreensível, irracional, carnal, animal, tendenciosa, emotiva, descontrolada, louca, ébria, desesperada e mística.

Amadurecer é a nossa missão de vida, pois precisamos aprender sempre porque não nascemos plenos e o processo de amadurecer infelizmente é por partes e não por completo. Somos maduros em algumas questões e extremamente infantis em outras. A busca da vida não se resume a rompante de mudanças alternadas, mas adquirir sabedoria de viver através do amadurecimento como ser e como cristãos.

Muitos falam de um amor a Deus que nunca existiu, pois testemunham de um amor por si mesmo.
“O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo”  Lucas 18:11a


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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sede de sangue

Os esquimós para proteger suas famílias contra o ataque de lobos, caçam um coelho ou um esquilo. Mergulham um punhal de dois gumes muito afiado no sangue de um destes animais e espera congelar. 
Cobrem a faca com algumas camadas de sangue, até que a lâmina fique completamente escondida debaixo do sangue congelado (picolé de sangue). O caçador enterra a faca no chão com a lâmina para cima.


Durante a noite quando o lobo sente o cheiro de sangue, por ter um olfato muito sensível, começa a lamber o sangue congelado.

O sangue congelado e o metal frio entorpecem a língua do lobo. Aos poucos, o animal corta a língua e passa a sentir o gosto do próprio sangue quente. Como não sente dor, ele lambe cada vez mais rápido e com maior voracidade. Sem perceber que está retalhando a própria língua. O lobo sangra até morrer vítima de seu próprio apetite.


"Essa trágica história ilustra como há muitos cristãos já sangrando com suas vidas arrebentadas, pois já perderam a sensibilidade e o temor diante de suas fraquezas. Estão vivendo em práticas vorazes de sangue e morte. Suas consciências estão entregues as sua paixões".  Rev. Sandro M. Viana

Trecho adaptado do livro De: Pastor A: Pastor. Rev. Hernandes Dias Lopes - pág. 33

domingo, 24 de junho de 2012

Coração verde, um retorno ao paraíso


“Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom”. Gn.  1:31a

Rev. Sandro Mariano Viana

O livro sagrado, a Bíblia conta a origem da humanidade que foi colocada em um lindo jardim chamado Éden. Lá habitava a proposta mais surpreendente e perfeita de criação. As mais lindas e diversificadas espécies de seres viventes, livres em seus ambientes, vivendo harmoniosamente, anunciando o esplendor de seu Criador. Como coroa de toda esta formosa inspiração criacionista é posto um ser a imagem e semelhança de seu Autor com atributos que nenhuma outra criatura possui.

O ser humano nesta composição criativa, detentor de livre arbítrio, foi comissionado com o ofício de gerir a criação, porém esta aprazível narrativa bíblica é interrompida com uma abrupta mudança nos destinos da humanidade. Os legítimos e capazes representantes da humanidade, Adão e Eva, decidem se tornar como deuses, conhecedores do bem e do mal e ingressam todos os seus descendentes nesta odisseia de infortúnios existenciais.

Hoje o retorno ao Éden passa pelo caminho do coração. As transformações diárias e constantes de nossos caminhos apontam para uma conversão criativa e ética do Reino de Deus aqui na Terra.

O planeta Terra, o jardim de Deus, para a humanidade sempre esteve ameaçado com as condutas humanas, o problema é que hoje estamos em um beco sem saídas, pois todos os recursos naturais foram exauridos e não há mais como continuar nesta caminhada de destruições pensando o mundo da mesma maneira como se pensou, destruir para consumir. O ritmo pós-moderno contemporâneo de viver torna tudo obsoleto em menos de dezoito meses. Na contramão da sustentabilidade o viver descartável invadiu o cotidiano do “pacato cidadão” influenciando sua conduta.

Os grandes temas mundiais como a sobrevivência do planeta e o futuro que as novas gerações, estarão nas escolhas corretas e mudanças que precisam acontecer hoje, esta é a herança que deixaremos para as próximas gerações.

A insustentável sustentabilidade da ética humana no cuidado do Planeta, nossa conduta no cuidado da coisa divina precisa urgentemente de mudanças que ocorram primeiramente dentre de nós.

Vinte anos depois da Eco 92 a Rio + 20 (Mais Vinte) traz a tona discussões sobre o conflito entre  sobrevivência básica da maioria dos habitantes do planeta contra os interesses de uma minoria que detém o capital pela escravidão de muitos.

Neste jogo de sobrevivência os interesses são os mais plurais. Os ambientalistas e “ongs” de preservações tentam desesperadamente conscientizar as novas gerações quanto a obrigação de se preservar a vida. 

Para trabalhar a preservação ambiental é necessária uma campanha de reciclagem de corações de pensamentos, uma despoluição mental, diminuição dos altos índices de egoísmo e ganancia que foram diluídos em nossa fonte de esperança. Sentimentos tóxicos como, a insensibilidade e o individualismo, são energias radioativas nocivas à paz e a união. Enquanto o homem não for limpo de sua natureza pecaminosa os discursos serão como lindas canções que trarão alegria momentânea e não haverá forças renováveis suficientes para as transformações tão necessárias que garantam a sobrevivência das novas gerações.

Publicado no Boletim Informativo da IP Parnamirim-RN em 24/06/2012 




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segunda-feira, 18 de junho de 2012

A Teologia das Redes Sociais


(A Teologia do Facenstein = Facebook + Frankenstein)
Rev. Sandro Mariano Viana

Na evolução das comunicações globalizadas passamos pela carta, rádio, código morse, telefone (satélites), televisão e agora a grande sensação do momento a Internet. Ela consegue abraçar todas as modalidades separadamente ou juntas no mesmo meio: textos, imagens, vídeos e áudios.

Na década de oitenta popularizou-se o “vídeoclip” que é a junção das mídias de áudio musicais ao vídeo. Os grandes propagadores deste meio foram Elvis Presley, Beatles e Michael Jackson.

Hoje pela Internet as pessoas se encontram, namoram, trabalham e até organizam-se em movimentos sociais e revolucionários. O fenômeno mais recente, organizado na Internet ocorreu nos países árabes e que foram fomentadas neste novo campo de batalha. É por essa mídia que milhões de anônimos se destacam com seus pensamentos publicados em blogs e redes sociais. Nunca houve na história da humanidade uma democratização do pensamento como a que temos experimentado. As pessoas se aproximam dentro de grupos por perfis de pensamentos ideológicos que melhor lhe familiarizam. Essas pessoas são chamadas “seguidores”.

Neste novo contexto de uma sociedade interconectada, atos e ações são acompanhados vinte quatro horas por dia em “micro blogs”. Atitudes tão triviais do dia a dia são postadas e logo viram notícias.

A grande característica das mídias sociais está no fato de se produzir uma informação a partir de uma coleta de dados em textos, fotos, músicas e vídeos. Editar, cortar, copiar, colar, adicionar e importar, todas essas ações criam um grande “Frankenstein” ideológico. São postados milhares de imagens e vídeos caseiros com o propósito de expor seus pensamentos e receber dos “seguidores” um reconhecimento pessoal que é retro alimentado. Há uma luta ideológica de exposição pessoal numa tentativa de convencimento por aquilo que se posta. É uma nova modalidade de luta ideológica.

Os relacionamentos reais também já se influenciaram com as regras das redes sociais, isto é, se os comentários não forem conforme o que penso, logo desfaço a amizade, é rápido e indolor, basta clicar.


Bonitinhas e infames são as milhares de mensagens divulgadas com fotos em fundos musicais e frases de efeitos que não permitem uma reflexão com profundidade, pois a imagem e a música associadas ofuscam no inconsciente a mensagem que se gostaria de proclamar claramente.

A fraqueza e mediocridade de uma reflexão de pensamento tem predominantemente nivelado por baixo todos os que estão dentro das redes sociais. São raros os casos de vida inteligente no meio de uma enxurrada de assuntos sem sentido.
As pessoas já descobriram que podem produzir mensagens manipuladoras com o uso de imagens de natureza, crianças, animais, idosos, casais, anjos, Jesus etc.

É uma grande colcha de recortes de imagens, fotos e frases. Com isto se propagam mensagens pessoais que influenciam como verdades para outros.

A arte da charge sempre foi inteligente, crítica e relevante, pois uma imagem era construída sob uma mensagem. Hoje as imagens influenciam as ideias. O processo está invertido.

A teologia das redes sociais é aquela que se preocupa com o que se pode ver e não compreender. É um ambiente carregado de achismos e palpites, recortes mal elaborados, tendenciosos sem fundamentação bibliográfica que possui a característica de expor a compreensão popular de conhecimentos genérico sobre tudo e sobre Deus. Um dos problemas da teologia das redes sociais é que ela não tem cara nem identidade tudo é dito através de imagens de forma reducionista, não há uma fonte segura e verdadeira.

Desperdiçar tempo navegando em redes sociais com assuntos fúteis é jogar seu tempo no lixo. Utilize-o para um aprendizado saudável e sólido sobre a fé cristã. Leia bons livros de literatura, ouça boas músicas. Cuidado com as redes sociais, pois não é lugar de se aprender sobre as verdades eternas. Não é pecado usar as redes sociais, mas deve se usada com um bom proveito, postando sempre bons comentários, versículos, poemas, canções etc.

Publicado no Boletim Informativo da IP Parnamirim-RN em 17/06/2012
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Você entende o que canta?

"Música para compor o ambiente Música para escovar o dente Música para fazer chover Música para ninar nenê Música para tocar...