terça-feira, 5 de março de 2013

O último show

Renato Russo no estádio Mané Garrincha, antes do fatídico show de 1988. Foto: Renato "Barney" Mendonça
Hoje ao ler a matéria: Os anos 1980 fizeram Brasília ser conhecida como a capital do rock no Correio Brasiliense óbviamente lembrei de minha adolescência na capital e de um marco histórico quando existia o estádio Mané Garrincha. Eu e Gim meu irmão( Jorge Viana) chegamos cedo, era umas 14h, num sábado frio e seco comum na capital federal. Ouvimos toda a passagem de som (ensaio) e ficamos eufóricos. Quando os portões se abriram corremos no meio do gramado. Lá estávamos para assisti a maior banda de todos os tempos. Já a noite com poucas músicas cantadas o Renato pára uma das canções e se mete numa briga no meio da galera. A turma começou a vaiar e atirar garrafas e latas ao palco, até que Renato leva uma garrafada caindo ao palco e neste momento começou uma guerra campal. Eu era militar do Exército e sabia da fama da polícia montada de Brasília-DF (Veraneio Vascaina) quando vi os cavalos entrando no gramado do Mané Garrincha puxei o Jorginho e corremos para o alto das arquibancadas, nesse dia a paz não foi cantada.
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domingo, 6 de janeiro de 2013

O Pop Não Poupa ninguém

“Estando Jesus orando à parte, achavam-se presentes os discípulos, a quem perguntou: Quem dizem as multidões que sou eu? Responderam eles: João Batista, mas outros, Elias; e ainda outros dizem que ressurgiu um dos antigos profetas. Mas vós, perguntou ele, quem dizeis que eu sou? Lucas 9.18-20

Em 1981 na Praça de São Pedro no Vaticano, o Papa João Paulo II foi baleado gravemente por um atirador turco que era membro de um grupo militante fascista. Na década de 1990 a banda de rock gaúcha Engenheiros do Hawaii emplacou um grande sucesso com o nome “O Papa é Pop”. É uma crítica de como qualquer assunto até trágico pode render grandes lucros para as grandes mídias. Tudo que é popular ou pop torna-se alvo de consumo, até assuntos bizarros.


“Todo mundo tá revendo
O que nunca foi visto
Todo mundo tá comprando
Os mais vendidos

É qualquer nota,
Qualquer notícia
Páginas em branco,
Fotos coloridas
Qualquer nova,
Qualquer notícia
Qualquer coisa
Que se mova
É um alvo

E ninguém tá salvo...

Todo mundo tá relendo
O que nunca foi lido
Tá na Caras
Tá na capa da revista

O Papa é Pop,
O Papa é Pop!
O Pop não poupa ninguém
O Papa levou um tiro
À queima roupa
O Pop não poupa ninguém
Uma palavra
Na tua camiseta
O planeta na tua cama
Uma palavra escrita a lápis
Eternidades da semana”.

A canção descreve o inacreditável, aquilo que um dia não imaginaríamos que fosse objeto de consumo, porém numa sociedade POP tudo vira produto e serviço. O sagrado é mais um produto no shopping das vaidades humanas, ninguém está salvo! Nessa crítica a pessoa de Jesus Cristo é a mais explorada, mercantilizada e o mais pop, isto é, Jesus assume todos os tipos de formas para o consumo de um exigente mercado de fiéis.

A teologia e as grandes ferramentas da interpretação bíblica (exegese e a hermenêutica) foram trocadas pelo marketing. As interpretações passam antes pelas demandas de consumo e cria-se um novo cardápio de novos cristos.

Jonh Stott em seu livro Ouça o Mundo Ouça o Espírito afirma que: “Durante toda a história da igreja Jesus Cristo tem passado por um processo de repetida crucificação. Ele tem sido açoitado, machucado e trancafiado na prisão de incontáveis sistemas e filosofias. Tratado como um corpo de pensamento, ele geralmente tem sido rebaixado a sepulturas conceptuais e coberto com lápides, a fim de que não possa ressurgir e causar-nos mais problemas... Mas este é o milagre — que dessa sucessão de sepulturas conceptuais Jesus Cristo sempre e sempre ressuscita de novo! Sempre e sempre de novo, a figura de Jesus tem sido terrivelmente amputada... a fim de adaptar-se ao gosto de cada geração".
Esses cristos “Frankenstein” criados pelos homens deforma a fé de muitos que tentam conhecer o verdadeiro Cristo bíblico. Hoje o gosto de freguês é diversificado há: O Jesus pop star, psicólogo (terapeuta), operário, filósofo, comunista, super-herói, professor, mártir, gerente de banco, homem de negócios, homo afetivo e por onde a imaginação dos manipuladores e simpatizantes possa moldá-lo conforme seus interesses.

A pergunta de Jesus é extremamente relevante para os nossos dias! “Mas vós, perguntou ele, quem dizeis que eu sou?” A resposta para esta pergunta é esta: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem”. João 10:27. A igreja é a única quem poderá responder no meio de tantos estereótipos e falsos cristos que foram pulverizados pela grande mídia gospel. Que o verdadeiro Cristo se levante no meio de tanta enganação e manipulação.

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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O fim do mundo e a esperança do Natal


"Quero trazer à memória o que me pode dar esperança".
lamentações 
3:21

Está marcada mais uma vez pra o dia 21 de dezembro de 2012 uma viagem sem retorno para toda a humanidade. É o fim do mundo, o apocalipse, a extinção de toda a raça humana. Desta vez o anúncio veio de uma profecia Maia. Para os desesperançados de plantão os “sobrevivencialistas”, um grupo de pessoas pessimistas que estocam grandes quantidades de alimentos, bebem a própria urina e se armaram até aos dentes aguardando o fim de tudo, afirmam que o epílogo ocorrerá através de ameaças externas como: uma colisão da Terra com um planeta chamado “X”, a reversão dos polos da Terra, tempestades solares e até o alinhamento dos planetas. Nada disso irá acontecer pelo menos é o que garante a agência espacial norte americana, responsável pela pesquisa e desenvolvimento de tecnologias e programas de exploração espacial a Nasa.

As profecias sobre o fim do mundo sempre habitou o imaginário humano e isto se torna mais intenso quando do término de um período ou o consequente declínio de um império ou o encerramento de um ciclo histórico levam as pessoas dentro de suas épocas a um pensamento coletivo comum apocalíptico.

Os fenômenos naturais como: tsunamis, erupções vulcânicas, terremotos, maremotos, períodos de grandes estiagens e enchentes são potencializados com a interferência insensata humana, quando não deveriam aproximar-se ou até construir em áreas de riscos.

A verdadeira profecia que ninguém quer admitir é a morte do homem! Ao contrário das previsões propaladas hoje, o fim do mundo de fato já veio! Pela morte moral de homens de mentes e corações insensíveis a vida. Os sinais são evidentes sobre a eminente extinção da humanidade: A exploração dos seus semelhantes o envenenando e a destruição insana do meio ambiente que superaqueceu o planeta. Mercadejaram suas almas e não aprenderam a conviver com o próximo.

O grande problema do conceito de fim do mundo está na incapacidade humana de uma auto salvação de si mesma! Salvar-se de que, de quem ou do quê? O imaginário coletivo catastrófico é extremamente minimalistas diante das tentativas de fuga de si mesma e dos sofrimentos. O fim da raça humana através de colisões de objetos vindo do espaço é uma tentativa “eutanástica” suicida que para muitos que já estão agonizando a muito tempo e não querem mais sofrer abreviando suas existências de forma instantânea.  Essas previsões apesar de calamitosas são extremamente adequadas para aqueles que estão fugindo dos sofrimentos.

Em toda literatura religiosa há livros profetas e profecias apocalípticas. Para muitas pessoas que não conhecem o livro e o contexto de Apocalipse seu conteúdo é de grande esperança! Não é um livro maldito carregado de figuras de linguagem desconexas e de maldições. 


Lamentavelmente há muitos cristãos que embarcaram nesta desesperança coletiva secular e já estão agonizando nesta vida acreditando de forma equivocada que Jesus Cristo deve voltar o mais rápido possível para retirá-los dos sofrimentos que estão passando ou que Deus venha vingar-lhes suas causas materialistas.

Hoje o pensamento comum do homem ocidental, místico, supersticioso, pós-cristão e pós-moderno evidencia a condição da natureza de sua incapacidade total de auto salvar-se que seja de fatos alheios ao seu controle e a sua condição de morte espiritual e moral que se reflete numa sociedade global que cultiva o efêmero, os excessos e as paixões de um coração vazio de princípios, valores e sentido. Depois de séculos de sacrifícios, altruísmo, obediência e recompensas estamos num tempo de valorização dos desejos, de liberação dos prazeres.

O fim do mundo é mais grave pelo fato da solução ser tão óbvia próxima e possível, mas as pessoas não querem mover-se nesta direção pela comodidade do individualismo narcisista que matou o pensamento altruísta do coletivo. Uma sociedade que “evoluiu tecnologicamente”, mas que não abre mão de seu conforto hedonista e não estão dispostos a solucionar, pois preferem perder tudo a dividir com o próximo.

O fim do mundo é caminhar na contra mão da natureza das coisas, o óbvio, como: Buscar vidas em outros planetas a amar o semelhante como a si mesmo, gastar bilhões de dólares na indústria bélica a investir em pesquisas em novas vacinas, aplicar tempo e erário em naves espaciais e fugir do ÚNICO planeta que tem todas as condições que nos garantam vida. Não estamos dispostos a arrumar esta casa chamada Terra é melhor elucubrar com as demências dos homens mortos e explodi-la, eliminá-la, pois nos tornamos incapazes e indignos de cuidarmos deste lindo planeta azul.

Diante das desesperanças das profecias humanas e da natureza do coração vazio, veio a nós o Salvador encarnado em forma humana para fazer nascer em nossos corações vida que é eterna. Nós nos alegramos e celebramos o Natal que é o nascimento de Jesus a esperança do pecador que olha com simplicidade o amor gracioso de Deus e recebe em sua vida a dádiva da salvação pelo sacrifício e méritos do Senhor Jesus. O nascimento de Jesus Cristo é o nascimento da esperança de um mundo caído que será restaurará através da vinda do Reino de Deus através de seu povo. Este planeta não será aniquilado como os falsos profetas anunciam, pois será restaurado pelo supremo Criador e pelos corações transformados pela maravilhosa Graça.


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domingo, 7 de outubro de 2012

O urgente e o importante


Nesses dias tão estranhos, hoje, tudo se torna urgente menos o importante! O ritmo frenético dos nossos dias pulsa no bolso e compele os corações que afligem as consciências e desembocam num senso de preocupação permanente. As agendas das pessoas estão atulhadas de compromissos que esconde um abismo intransponível de um vazio de sentido existencial que não permite o mínimo de espaço se quer para o essencial só para o urgente.

A correria do dia a dia cria hábitos de soluções instantâneas que aliena e manipula as pessoas. São atitudes de uma crença mágica de uma vivência ilusória aonde tudo aparentemente se resolve imediatamente. É só abrir um pacote de um produto efervescente, pronto! Resolveu.

Os entretenimentos são modalidades modernas que consomem o tempo precioso e que esvai instantes de vida com o que não é importante transformando tudo na vida em urgências.
                                                                                                                
Em um mundo que foi acondicionado a consumir dejetos visuais e auditivos não se consegue conviver com o silêncio, a meditação e a reflexão, isso agride aos ouvidos adequados com ruídos e luzes frenéticas. A agitação se impõe ditatorialmente sobre os espaços da reflexão. Refletir e pensar lançam os seres humanos num ambiente desafiador. O tempo para a reflexão hoje traz culpabilidade sobre as consciências num mundo utilitarista e pragmático.

“A ordem dos fatores altera o resultado do pensamento” pelo fato de como compreendemos o significado do urgente diante do importante. Como priorizamos o essencial em detrimento do urgente.  
                                                                                                              
A cada amanhecer executamos rotineiramente frias atividades esquecendo-nos de nós mesmo e dos semelhantes que estão ao nosso redor nos amando, acreditamos religiosamente que construiremos o edifício do nosso “ser” pelas vias daquilo que temos ou adquirimos. Ser pelo que possuímos e para isso muitos negociam suas almas nos mercados da vida parcelando mensalmente suas horas de trabalho sacrificando sua convivência familiar e com Deus. Não sobra tempo para olhar nos olhos daqueles que amamos e os entregamos a estranhos que acreditamos que amará e cuidará melhor do que nós. Terceirizamos nossos sentimentos, delegamos ao estranho nossos filhos e família com a desculpa de que o que fazemos será o melhor para todos.

A legião de ansiosos aumenta a cada dia rendendo-se as suas agendas invertidas de valores. Trocaram o essencial pelo urgente tornando-se escravas de seus compromissos inadiáveis que na realidade nunca existiram. O essencial só é desvendado quando o urgente se dissipa como fumaça nas vicissitudes da vida.

Nossas vidas reduziram-se aos: “express”, “automático”, “online”, “fast”, “smart”, “self”, e “descartável”, onde banalizamos o essencial e priorizamos o irrelevante. São dias de incomuns e contraditórios valores de vida. Para uma geração que hiper valoriza as experiências emocionais não consegue compreende o valor das percepções mais básicas e fundamentais que se possa provar.

O moderno cristianismo não sabe mais o sentido da oração e da meditação. As novas gerações de cristãos carregados da “cultura do urgente” não compreendem e ainda não adquiriu o hábito correto da oração, meditação e reflexão. A meditação cristã não é supersticiosa, mística, mágica e nem instantânea.  Adquire-se com práticas diárias da leitura de fartas porções da Bíblia e a disposição de momentos de quietude em oração e reflexão. A impaciência das pessoas que participam dos modernos cultos não permite momentos de orações reflexões sobre a vida, pois o silêncio atrapalha o culto aos homens.

A sociedade “expresss” impõe às pessoas a urgência religiosa onde a paciência e a obediência são assolados constantemente, pois as pessoas foram acondicionadas e uma resolução dos seus problemas com os “abra cadabras”. A vida tecnológica induz a uma falsa realização de sonhos e desejos. As dificuldades da vida não se resolvem com uma ligação de um “smartphone” ou por um acesso aos Google, enviando mensagens para a “oração MSN” ou ao apertar o uma tecla do controle remoto as realidades são mudadas instantaneamente. A cultura “online” tapou a visão correta da realidade e as pessoas não querem aprender com o sofrimento tornando-se para sempre um Peter Pan, onde nunca crescem nem amadurecem e assim, tornam-se intolerantes, infantis, egoístas, esquisitas, bizarras e medonhas, pois não conseguem conviver na companhia do próximo.

A herança da sociedade “fast”, “smart” e “self” é envelhecer com uma boa aposentadoria na maior das solidões.

“Quando nossos sentimentos (o amor) não são tratados como essenciais se tornam mais um assunto das agendas atulhadas das urgências. Perde seu propósito resultando numa amarga e imperiosa obrigação a se cumprir”.

O dia de hoje deve ser tratado com a máxima importância e consciência, pois “o tempo não para” e a vida deve ser experimentada, sentida, vivida, percebida. Busquemos a sensibilidade da vida que vivemos. Puxe o feio de mão de suas rotinas e reavalie, não feche os olhos diante da sua vida e não permita que você se torne um covarde escravo e omisso com a maior bênção que você recebeu a sua vida.

Não somos vítimas, e precisamos cuidar de nossa natureza para não nos tornamos reféns de nossas paixões. 
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domingo, 30 de setembro de 2012

A Urna Corrompida


É muito comum ouvir pessoas afirmarem que não discutem sobre política e muito menos sobre religião o grande problema está na prática, pois não existe ninguém nulo ou isento de ideologias políticas ou crenças religiosas por mais que fujamos do confronto não há como negar essas realidades querendo ou não sempre decidimos ou cremos em algo a respeito sobre estes temas.


A omissão é um comportamento que reflete uma tentativa desesperada de fuga que somente prorroga o óbvio, isto é, mais cedo ou mais tarde teremos que enfrentar nossas consciências sobre temas tão relevantes e que interferem diretamente no dia a dia na vida de cada cidadão.

Temos o costume de ficarmos em nossas trincheiras confortavelmente atirando contra tudo e contra todos que estão dentro das estruturas do Estado (governo municipal, estadual e União).

Não existe maior pena que possamos experimentar quando o voto que depositamos nas urnas nos torna reféns de nós mesmos e ficamos presos num Estado inerte e incompetente.

Nas rodas de conversas geralmente não falta as críticas políticas, pois é um costume dos brasileiros achar um político para “malhar o judas” e começar a falar como ébrios culpando tudo o que acontece e dando como por única responsabilidade aquele que a anos está no ofício de corrupto pela confirmação de seus eleitores corruptos.

A corrupção das urnas tem cara, seus efeitos mais nefastos estão sobre a vida de todo cidadão, com a face dos discursos megalomaníacos de promessas prevaricadas e que respinga sangue inocente em políticas de segurança públicas desleixadas, superfaturamentos das ambições de agentes públicos que matam, furtam e destrói a esperança que nasce todos os dias e que deveria caminhar para as escolas, porém foi  trancafiado o futuro deste país na construção de presídios.

Percebemos claramente que as omissões das escolhas dos eleitores são decididas no dia a dia nos hospitais em que um médico deverá optar em quem deve viver ou não por falta de leitos e medicações ou nas escolas que se transformam em depósitos e ringues de crianças. Estamos a uma semana de nosso exercício político diante das urnas para mais tarde experimentá-la diante de em um leito de hospital, se houver, numa fila para matrícula de seu filho na escola, se houver vaga ou diante da delegacia, se houver.

Nestes dias que antecedem as eleições municipais o povo é elevado como honesto e idôneo. Um político pode se corromper, mas votar em um corrupto político é prova sumária de como o povo pode ser tão pervertido quanto aquele que os governa.
                                                                                                                                                
O mundo não foi criado corrompido, porém a corrupção é um dos males que envenena as relações e que deve ser varrida de nossas vidas diariamente, assim como lavamos nossas roupas ou nos asseamos devemos exercitar nossas consciências com princípios elevados para que não nos rendamos a nossa própria natureza corrupta. 

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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A sociedade do excesso

Na nova era, princípios como individualismo e mercantilização da vida levaram à cultura do exagero. Não basta ser ou ter muito. O que vale é o conceito do hiper.
Por Camilo Vannuchi

Primeiro veio a modernidade, com a valorização do indivíduo e do mercado e a confiança no progresso pela ciência. Tradição e fé foram banidas pelo pensamento iluminista em nome de um futuro promissor que nunca chegou. Em vez de bem-estar generalizado e felicidade mundial, a modernidade trouxe cidades inchadas, miséria, poluição, desemprego e stress. A confiança no futuro caiu por terra e foi substituída, na segunda metade do século XX, por um hedonismo sem ilusões. Planos de carreira, projetos de família e toda atitude que visasse a uma escalada racional rumo ao porvir foram substituídos pelo culto ao presente. O ocaso das ideologias e a pulverização das religiões a partir dos anos 70 trouxeram a certeza de que os tempos vindouros não seriam as maravilhas prometidas. A geração do desbunde interpretou esse sentimento de maneira festiva, com a revolução sexual e de comportamento. Essa fase, chamada pós-modernidade, também já acabou.
Foi substituída por uma nova era, na qual a festa cedeu espaço à tensão. Para o filósofo francês Gilles Lipovetsky, abriram-se as portas da hipermodernidade.

Professor de filosofia na universidade de Grenoble, na França, Lipovetsky despertou interesse – e muitas críticas – ao se debruçar sobre temas considerados, até então, pouco importantes pela intelectualidade. É de sua lavra, por exemplo, o livro O império do efêmero (Cia. das Letras), de 1987, no qual analisou o fenômeno da moda. No ano passado, publicou na França outro petardo de novidade: Le luxe éternel (ed. Gallimard), ainda inédito no Brasil, em que faz suas considerações sobre o crescente consumo de luxo. Lipovetsky chega a São Paulo no dia 18 para lançar Os tempos hipermodernos (Editora Barcarolla), escrito em parceria com Sébastien Charles, professor de filosofia da Universidade de Sherbrooke, no Canadá. Nas duas semanas que ficará no Brasil, participará de debates na Faap, em São Paulo, e na Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), em Campinas, e ministrará a aula inaugural de comunicações na PUC de Porto Alegre.

Polêmico e cativante, é o próprio Lipovetsky quem dá a dica para entender sua obra mais recente. “De fato, a pós-modernidade nunca existiu. O termo implica fim da modernidade, mas ela nunca acabou. Entre 1970 e 1990, houve apenas um breve período de redução das pressões sociais. Mas elas reapareceram ainda mais fortes”, diz. “No momento em que triunfam a tecnologia genética e a globalização liberal, o rótulo pós-moderno já ganhou rugas. Aliás, tínhamos uma modernidade limitada e hoje temos uma modernidade consumada, uma segunda modernidade a que chamo hiper.” Segundo ele, os três elementos centrais da primeira modernidade – o individualismo, o cientificismo e o mercado – estão no auge. A globalização e o fim das grandes ideologias produziram um individualismo sem precedentes: daí o fenômeno da moda e do consumo de luxo, responsáveis pela aquisição de identidade numa época em que ela já não é determinada pela posição política ou religiosa. O cientificismo inaugurado no iluminismo é pequeno quando comparado ao hipercientificismo atual, capaz de controlar o nascimento, o envelhecimento, a alimentação, a beleza e a morte (inseminação artificial, clones, transgênicos, cosméticos e vacinas são os sintomas).

Objetos de desejo – Finalmente, a produção de mercado evoluiu para uma sociedade de hiperconsumo, na qual a mídia e a publicidade ocuparam o espaço da Igreja e do Estado como poderosas instituições de coação. Nesse mundo novo, modelos tornam-se ícones de sucesso profissional e grifes despontam como os principais objetos de desejo. Perpetua-se o que Lipovetsky chama de sociedade do excesso. “Hipercapitalismo, hiperclasse, hiperpotência, hiperterrorismo, hiperindividualismo, hipermercado, hipertexto – o que mais não é hiper? O que mais não expõe uma modernidade elevada à potência superlativa?”, escreve ele.

Coordenador do programa de pós-graduação em comunicação da PUC do Rio Grande do Sul e doutor em sociologia pela Sorbonne, Juremir Machado da Silva bebeu da fonte dos mesmos estudiosos franceses que ajudaram a compor a interpretação de Lipovetsky, de Jean-François Lyotard a Jean Baudrillard. “Gilles Lipovetsky sempre foi o mais entusiasta da pós-modernidade, caracterizada por uma sociedade pós-moralista, aberta para a diferença. Agora ele ressurge cauteloso, ciente de que as coisas não funcionaram tão bem. Se a pós-modernidade foi uma festa, a hipermodernidade é a ressaca”, compara. No ano passado, Juremir Machado traduziu o pequeno livro de Lipovetsky, Metamorfoses da cultura liberal (ed. Sulina). “Baudrillard falava em simulacro. A humanidade colocou o virtual acima do real, passou a preferir o replay do lance pela tevê ao gol visto no estádio. A cultura do excesso é isso: as coisas parecem verdadeiras, mas são exageradas. São bolhas que, se a gente colocar um alfinete, estouram”, completa.

Exagerado – Os habitantes desse mundo exagerado sentem o peso da cultura do excesso. No lugar das velhas instituições – que exerciam uma disciplina autoritária – surge o autocontrole, mais careta do que anunciavam os arroubos libertários de 30 anos atrás. Na opinião do filósofo canadense Sébastien Charles, isso se dá porque a desagregação do mundo da tradição é vivida não mais sob o regime da emancipação, e sim sob o da tensão, provocada por fantasmas como desemprego, colesterol, stress e ataques terroristas. O “carpe diem” (aproveite o dia) descontraído transformou-se em presencialismo angustiado, por falta de perspectiva. “É o medo o que importa e o que domina em face de um futuro incerto. A profissão de fé não é mais ‘goze sem entraves’, e sim ‘tenha medo em qualquer idade’”, resume ele.

Com isso, surgem novas patologias individuais como o consumismo, a anorexia, a bulimia, o pânico, o voyeurismo perante a hiper-realidade dos reality shows. “O homem está desbussolado. Na primeira modernidade, a sociedade era ‘pai-orientadada’, organizada verticalmente, e o grande desafio era descobrir como chegar à diretoria, ao topo da pirâmide familiar ou profissional. Hoje, a questão é: aonde ir?”, diz o psicanalista Jorge Forbes, que assina a orelha da edição brasileira de Os tempos hipermodernos. “A psicanálise não é mais ferramenta para que o paciente se liberte do passado e enfrente o futuro já conhecido. Ele tem que descobrir qual caminho seguir”, conta.

Enquanto a sociedade aprende a lidar com a ausência de caminho preestabelecido e descobre como viver no mundo não-pai-orientado, a hipermídia ajuda a criar a referência que falta. Na hipermodernidade, a identidade não é natural ou herdada. Ela precisa ser composta. A moda, o luxo e a indústria cosmética – que cresce 20% ao ano no Brasil – contribuem para isso. “O principal motivo para a aquisição de artigos de luxo não é mais a busca por status. É a vontade não-racional de adquirir identidade. Junto com uma etiqueta vêm embutidos conceitos de tradição”, considera Carlos Ferreirinha, coordenador do MBA em Gestão do Luxo, da Faap. Isso significa que, a tiracolo, as pessoas levam elementos que refletem o que têm na essência. Idéia semelhante é compartilhada pelo antropólogo mexicano Mauricio Genet Guzmán Chávez, que apresentou este ano a tese de doutorado em sociologia política “O mais profundo é a pele: sociedade cosmética na era da biodiversidade” na Universidade Federal de Santa Catarina. “O corpo adquire lugar central no processo identitário. Tatuagens e piercings dizem muito sobre as pessoas. A organização dos grupos na sociedade cosmética é baseada na aparência, na roupa, em elementos externos”, diz o autor. É como se, diante de uma crise de identidade ou de uma repentina depressão, bastasse recorrer a um tatuador ou a um cirurgião plástico para resgatar a sensação de conforto.

Ética do futuro – Na sociedade hipermoderna, tudo pode ser consumido. Ou quase. Curiosamente, cresce a noção de que a própria saúde e a do planeta são intocáveis. Por isso vê-se a crescente medicalização da vida e uma atenção especial em relação ao meio ambiente, que Gilles Lipovetsky chama de ética do futuro. “Ante as ameaças da poluição atmosférica, da mudança climática, da erosão da biodiversidade, da contaminação dos solos, afirmam-se as idéias de desenvolvimento sustentável e de ecologia industrial, com o encargo de transmitir um ambiente viável às gerações que nos sucederem”, escreve. Ao mesmo tempo, voltam elementos do passado, travestidos em sentimento nostálgico. Na pós-globalização, também a busca das origens soma-se à moda e à vaidade nas trincheiras da identidade. Arte naïf, música regional, modelitos vintage garimpados em brechós e turismo de memória são, segundo Lipovetsky, grandes tendências culturais para os próximos anos. Em algum lugar do futuro – mesmo que seja em um passado revisitado – estará a bússola de que o homem hipermoderno tanto precisa.

Na sociedade hipermoderna, a aparência é cada vez mais valorizada. Não basta ser competente, é preciso ter um rosto pouco marcado pelo tempo. Por isso, a cada dia a indústria farmacêutica lança no mercado produtos que prometem rejuvenescimento a curto prazo. Os tops de linha são os cosmocêuticos: remédios que agem nas camadas profundas da pele e têm efeitos cientificamente comprovados (o que nem sempre acontece com os cosméticos) no combate a rugas e manchas. Além desses produtos vendidos em farmácias, há os procedimentos realizados por dermatologistas, como o famoso Botox (toxina botulínica) e medicamentos que preenchem rugas profundas. “Há ainda os tratamentos a laser que rejuvenescem a pele em poucas horas, sem deixar cicatriz”, diz a dermatologista Mônica Aribi Fiszbaum, de São Paulo. Os preços variam. Mas sem dúvida não cabem num bolso que não seja também hipermoderno.

Gilles Lipovetsky (Millau, 24 de setembro de 1944) é um filósofo francês, professor de filosofia da Universidade de Grenoble, teórico da Hipermodernidade, autor dos livros A Era do Vazio, O luxo eterno, O império do efêmero, A felicidade paradoxal: ensaio sobre a sociedade do hiperconsumo, entre outros

Fonte: Isto É acessado em 21/09/2012.



sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A língua é fogo


Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo. Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo. 

Ora, se pomos freio na boca dos cavalos, para nos obedecerem, também lhes dirigimos o corpo inteiro. Observai, igualmente, os navios que, sendo tão grandes e batidos de rijos ventos, por um pequeníssimo leme são dirigidos para onde queira o impulso do timoneiro. Assim, também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas. Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva! Ora, a língua é fogo; é mundo de iniquidade  a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno. Pois toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano; a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero. Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma só boca procede bênção e maldição.

Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim.  Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso? Acaso, meus irmãos, pode a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Tampouco fonte de água salgada pode dar água doce

Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras. Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade. Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca. Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins. 

A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento. Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz. 

Carta do apóstolo Tiago irmão de Jesus, primeiro bispo de Jerusalém, capítulo 3


Você entende o que canta?

"Música para compor o ambiente Música para escovar o dente Música para fazer chover Música para ninar nenê Música para tocar...