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Entre a cruz e os escombros: o luto seletivo do nosso tempo

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  Hoje é sexta-feira da Paixão. No calendário do mundo cristianizado, este é o dia mais propício à reflexão sobre a morte. É o dia em que Cristo, uma das pessoas da Trindade, se entrega voluntariamente aos sofrimentos da cruz, assumindo a dor para oferecer redenção àqueles que creem em seu sacrifício. Sua trajetória da manjedoura à cruz já anunciava, desde o início, a sombra da morte: ainda recém-nascido, recebe dos magos do Oriente presentes que carregam o presságio fúnebre de sua missão.   A sexta-feira da Paixão nos convoca a falar do sacrifício, das mortes, dos mortos e dos engenhos humanos de extermínio. Este texto não pretende ser melodramático, tampouco ingênuo. É, antes, uma tentativa de romper o silêncio conveniente de quem escolhe não ver. Porque, enquanto se encena a dor sagrada, há uma dor concreta que se repete todos os dias: crianças massacradas, esquartejadas em vida, exterminadas; órfãos que vagueiam entre ruínas, recolhendo restos de pão, de memória, de afeto ...